A chegada da nova depressão Leonardo, que ameaça vários distritos do território nacional com vento, chuva, agitação marítima e queda de neve, aumenta os receios do risco de cheias no Rio Douro. Durante a noite, o caudal subiu na zona da Alfândega e a população da zona ribeirinha já está a tomar precauções.
O presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto, António Fonseca, conta à TSF que pelo menos seis restaurantes jogaram pelo seguro e optaram por fechar portas nos próximos dias, “resguardando os materiais elétricos nos andares de cima” ou em armazéns longe do rio.
Caso a chuva se intensifique e “as barragens de Espanha começem a fazer descargas”, levando também a transbordos das barragens portuguesas, António Fonseca prevê “bastantes danos”.
“Pode acontecer numa hora invadir toda a zona ribeirinha”, alerta, admitindo que, ainda assim, “há a expectativa de que a água não suba”.
Os empresários da zona da Ribeira, junto ao rio Douro, “lá se vão adaptando”, explica o presidente daquela associação, e , de momento, “a preocupação é o day after, ou seja, como é que os prejuízos vão ser pagos“.
António Fonseca deixa vários conselhos para os comerciantes e moradores que nunca tiveram de lidar com uma cheia: “Para os prejuízos diretos – os equipamentos – é aconselhável tirar fotografias de tudo, ter registos de como estava o estabelecimento antes, como ficou durante as inundações e como ficou após as inundações. Poderão fazer chegar essa informação diretamente às câmaras municipais.”
No que diz respeito aos “prejuízos indiretos”, ou seja, as perdas causadas pela paragem dos negócios, o presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto sugere aos empresários que guardem dados “para comparar com períodos homólogos”, de modo a “pedir também alguma compensação ao Estado “.
“Acautelem-se, parem o negócio, protejam os equipamentos”, recomenda, complementando: “Se tiverem de retirar os equipamentos, as freguesias e, normalmente, as autarquias, têm viaturas próprias que posteriormente fazem a respetiva entrega dos materiais.”
Pede ainda atenção às instalações elétricas – que “devem estar em zonas longe de cheias”.
Adicionalmente, António Fonseca considera que as cadeias de hotéis “deveriam disponibilizar camas para os moradores dos rés-do-chão durante o período em que não têm a casa reabilitada” após as eventuais cheias.