Ofertas atrativas de contrato para trabalhar na Rússia tornam-se num pesadelo. “Se entrares para o exército russo, ou foges, ou morres”.

Sonham com uma vida melhor na Europa, mas acabam por ser enganados e obrigados a combater numa guerra alheia a milhares de km de casa.

A Rússia está a recrutar à força cidadãos africanos para combater na frente da guerra na Ucrânia, revela a “CNN Internacional”.

Tudo começa com uma oferta de emprego atrativa na Rússia, como motoristas ou seguranças. Primeiro, prometem um bónus de 13 mil dólares, depois salários mensais de 3.500 dólares. Para completar, promessa de obter cidadania russa.

Mas quando aterram na ‘Pátria Mãe’ são levados à força para o exército. O treino é fraco e são rapidamente enviados para a linha da frente.

São obrigados a assinar contratos de prestação de serviços para o exército, sem perceberem o russo que consta no documento, e sem aconselhamento legal.

Sem passaportes, acabam retidos na imensidão do território russo, sem hipóteses reais de fuga.

A “CNN” falou com 12 combatentes africanos na Ucrânia: do Gana, à Nigéria, Quénia e Uganda. Consultou mensagens em aplicações, assim como contratos, vistos, bilhetes de avião e reservas de hotéis.

A lei russa é ignorada, pois exige que os combatentes falem russo, o que não é o caso.

Já os seus salários e bónus ficam abaixo dos oferecidos aos combatentes russos.

Alguns queixam-se que já desapareceu dinheiro das suas contas, com um a queixar-se que foi obrigado a ceder o seu código e cartão por um soldado russo sob mira de uma arma.

Salários? Não existem. “Estou aqui há sete meses, mas não me pagaram um único cêntimo. Continuam a prometer um cheque, mas nada”, queixa-se um soldado africano.

Os soldados contactados pela televisão norte-americana estão desesperados para regressar ao seu país.

A juntar a tudo isto, ainda há o racismo que sofrem às mãos dos russos, a par de abusos.

Já os cadáveres de outros combatentes africanos são deixados a apodrecer no campo de batalha. Os feridos ficam sem qualquer compensação.

A propaganda russa vai fazendo o seu caminho. Na televisão pública, há soldados africanos a receber honras e a cidadania russa.

Também há casos de soldados que são atraídos para o exército russo devido a propaganda nas redes sociais.

É o caso de Patrick Kwoba que decidiu alistar-se após ver um vídeo nas redes sociais. Carpinteiro de profissão, decidiu rumar à Rússia, mas também foi enganado.

“Pensei que seria um segurança, não um combatente”, disse à “CNN” de regresso ao Quénia, tendo desertado. Os quatro meses na Ucrânia foram um “inferno”. Só teve direito a três semanas de treino antes de ser enviado para a linha da frente.

“Se entrares para o exército russo, ou foges, ou morres. Não há forma de ir para a Rússia e regressar vivo. Se terminares o teu contrato, obrigam-te a ficar”, conta.

Conseguiu fugir durante um período de descanso em São Petersburgo após ser ferido em combate, ao fugir para a embaixada do Quénia, tendo conseguido voar sem problemas, com novos documentos.