Há qualquer coisa que não está a funcionar bem com os construtores alemães, pelo menos no que respeita à estratégia por detrás da forma como baptizam os seus modelos. A Mercedes, que associou os seus veículos eléctricos à sigla EQ, seguida da letra referente ao modelo — o que deu origem aos EQA, EQB e por aí fora até ao EQS —, voltou atrás e passou a recorrer às mesmas denominações das versões a combustão nos seus veículos eléctricos. Já a Audi reservou os números pares para os modelos a bateria e os ímpares para os veículos a combustão, levando o A4 com motores a gasolina e a gasóleo a ser rebaptizado A5 e deixando espaço para um novo A4 a bateria, enquanto lançava os A6 e Q6 exclusivamente eléctricos. Mas não foi necessário esperar muito para também o construtor de Ingolstadt concluir que esta estratégia não era ideal e fazer marcha-atrás.
O CEO da Audi, Gernot Döllner, afirmou à publicação australiana Drive que a marca “está aberta a reintroduzir a denominação A4” no seu modelo do segmento D, que concorre directamente com o BMW Série 3 e o Mercedes Classe C. O A4 exclusivamente eléctrico continuará a ser desenvolvido e, quando chegar ao mercado — provavelmente em 2028 —, deverá assumir a designação A4 e-tron, fazendo assim marcha-atrás e retomando a antiga lógica de denominações.
De recordar que a Audi não é alheia a mudanças neste domínio, uma vez que já em 2017 o construtor alemão introduziu um sistema para identificar a motorização, denominando assim o A4 35, por montar um motor com 150 cv, o A4 40 devido ao motor com 190 cv e o A4 45 graças aos seus 265 cv. Este esquema, particularmente confuso e mal recebido pelos clientes, acabaria por ser abandonado em 2024.
Mas, em 2025, surgiu um novo motivo para gerar a confusão, quando a Audi lançou uma marca na China exactamente com o mesmo nome: “AUDI” — tudo em maiúsculas para não se confundir com a Audi original, uma vez que os modelos tradicionais desta marca também são comercializados na China. Além das maiúsculas, os modelos da AUDI diferenciam-se por serem produzidos localmente, serem mais baratos e não exibirem o símbolo dos quatro anéis. Resta saber se esta aparente sobreposição se irá manter, ou se também será revertida um destes dias.