Poucas horas depois de Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia, ter dito que aguardava “uma reacção da América” aos ataques da Rússia na segunda-feira contra infra-estruturas energéticas ucranianas, violando uma trégua, mediada pela Casa Branca, que pressupunha a suspensão de ataques russos durante o “Inverno rigoroso” e o “frio extremo” que assolam o país, Donald Trump defendeu que Vladimir Putin “cumpriu a sua palavra”.
Em declarações aos jornalistas, na terça-feira à noite, o Presidente dos Estados Unidos explicou que, nos termos do acordo alcançado com o Kremlin, o período de suspensão dos ataques expirou: “Era de domingo a domingo”, informou Trump, referindo-se à semana passada.
Uma vez terminado o prazo, e apesar de “estar muito frio lá” na Ucrânia, acrescentou, “ele [Putin] atacou-os com força ontem [segunda-feira] à noite”. “Ele cumpriu a sua palavra”, concluiu.
Questionado pela imprensa reunida na Casa Branca se tinha ficado desiludido com a decisão do Presidente russo de atacar a Ucrânia com temperaturas muito negativas, o chefe de Estado norte-americano respondeu: “Quero que ele acabe com a guerra”.
Segundo Zelensky, as Forças Armadas russas “exploraram a proposta dos EUA para a suspensão breve nos ataques” para armazenarem armamento, que depois foi utilizado para levarem a cabo um “ataque deliberado contra infra-estrutura energética, que envolveu um número recorde de mísseis balísticos”.
“Os russos esperaram deliberadamente pelos dias mais frios e lançaram este ataque quando muitas das nossas cidades estão com -20 graus Celsius ou -4 graus Fahrenheit”, acusou o Presidente ucraniano, através de uma série de mensagens publicadas na rede social X.
We await the reaction of America to the Russian strikes. It was the U.S. proposal—to halt strikes on energy during diplomacy and severe winter weather. The President of the United States made the request personally. Russia responded with a record number of ballistic missiles. pic.twitter.com/3SUyXk6aAk
— Volodymyr Zelenskyy / ????????? ?????????? (@ZelenskyyUa) February 3, 2026
De acordo com as autoridades políticas e militares ucranianas, a Rússia atacou Kiev e várias outras cidades da Ucrânia entre a segunda-feira à noite e a madrugada de terça-feira recorrendo a 43 mísseis balísticos, 28 mísseis de cruzeiro e 450 drones. Um dos ataques, em Zaporijjia, tirou a vida a duas pessoas de 18 anos e feriu outras nove.
O Governo ucraniano, citado pela Reuters, diz que há mais de 1100 edifícios residenciais na capital do país que estão sem aquecimento e que em Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana, há cerca de 270 mil pessoas que também não conseguem aquecer convenientemente as suas casas.
“Todos os alvos russos na Ucrânia são exclusivamente instalações energéticas. Isso também significa que as vidas humanas e que o processo diplomático são, efectivamente, alvos para os russos. Devemos pressionar a Rússia para que invista não na guerra, não na escalada, mas no fim da guerra que ela mesma começou”, defendeu Zelensky.
A BBC noticia que após uma chamada telefónica com Donald Trump, Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, descreveu os ataques russos contra infra-estruturas energéticas como “bárbaros” e “particularmente depravados”.
“O mundo inteiro consegue ver que Moscovo não está a ouvir a palavras e a pedidos e que não está a responder-lhes de forma razoável. Enquanto os EUA investem tanto tempo e esforço na diplomacia, a Rússia continua a investir apenas nos seus mísseis e drones e prossegue com os ataques, apesar dos pedidos dos nossos parceiros americanos para que se abstenham de fazê-lo durante uma semana”, denunciou ainda.
Os ataques russos contra alvos energéticos ocorreram horas antes de Mark Rutte, secretário-geral da NATO, se ter reunido com o Presidente ucraniano em Kiev, e nas vésperas de nova ronda de negociações entre ucranianos, russos e norte-americanos, agendadas para esta quarta-feira e para quinta-feira em Abu Dhabi.
Kiev pretende garantias de segurança sólidas dos EUA em qualquer acordo de paz ou de cessar-fogo e continua a resistir a uma das principais reivindicações de Moscovo: a anexação russa de cerca de 20% do território, no Leste da Ucrânia.