Num contexto em que terá de haver um ataque perfeitamente sincronizado, Allen R. Carlson aponta mais uma teoria que pode ter levado à purga, recordando que o assunto de Taiwan tem ganhado relevância nos últimos tempos. “Pequim tem demonstrado uma crescente assertividade em relação à ilha nos últimos meses”, salienta o especialista, acrescentando que o Japão tem também usado uma retórica mais dura e já assinalou que não descartava totalmente uma possível intervenção militar se o território fosse invadido.

Allen R. Carlson conjetura que a purga poderá ter sido motivada por diferentes prioridades em relação a Taiwan. “Estaria Zhang e outros na liderança do Exército Popular de Libertação a pressionar para levar a cabo ações mais contundentes contra Taiwan? Ou seria Xi Jinping quem estaria mais ansioso por um confronto e a cúpula do Exército Popular de Libertação estaria a tentar contê-lo?”, questiona o especialista, que aclara que não “existem dados fiáveis ​​suficientes para se chegar a uma conclusão” neste momento.

Como tal, existem duas possibilidades: ou o afastamento do comando militar levará a uma reestruturação prolongada das Forças Armadas ou motivará uma resposta mais rápida em relação a Taiwan. Nesta última hipótese, há uma agravante: Xi Jinping poderá não ter quaisquer vozes críticas à sua atuação no órgão militar mais importante do regime. Drew Thompson, antigo responsável do Departamento de Defesa norte-americano na política com China, Taiwan e a Mongólia, expõe num artigo que, se Xi Jinping receber “maus conselhos” de “bajuladores” mais leais do que competentes, pode fazer “erros de cálculo” em relação a uma invasão da ilha. “É o risco número um”, avisa.

Mesmo sendo filho de um revolucionário e membro do partido há décadas, Zhang Youxia era um intermediário que a Casa Branca usava quando procurava diminuir as tensões com Pequim, como recorda a Reuters, que ouviu vários antigos dirigentes norte-americanos dizerem ter ficado em “choque” com o afastamento do número dois da Comissão Militar Central. Em 2023, depois dos estragos nas relações entre os Estados Unidos e a China que a visita da antiga líder da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi causou ao visitar Taiwan, foi o antigo número dois da Comissão Militar Central quem retomou as comunicações com Washington.