A Comissão Nacional de Eleições (CNE) admitiu, na terça-feira, a possibilidade de a votação para as eleições presidenciais de 2026 ser adiada, esclarecendo que esta medida é permitida por lei “perante situações de calamidade”.
A segunda volta das eleições presidenciais de 2026, que tem como candidatos António José Seguro e André Ventura, está marcada para o próximo domingo, 8 de fevereiro, numa altura em que várias localidades ainda enfrentam as consequências do mau tempo registado nos últimos dias em Portugal.
Numa nota, publicada na terça-feira no seu site, a CNE sublinhou que “nos termos da Lei Eleitoral do Presidente da República estabelece, artigo 81.º, podem os Presidentes de Câmara no território continental ou os Representantes da República nas respetivas Regiões Autónomas, perante situações de calamidade no dia da eleição ou nos três dias anteriores, reconhecer a impossibilidade de realização da votação nas assembleias ou secções de voto afetadas”.
“A verificar-se esta situação excecional será a votação nesses locais efetuada no domingo seguinte. Trata-se de uma previsão legal de carácter preventivo, não existindo neste momento qualquer decisão ou indicação que aponte para o adiamento da votação em determinado local”, acrescentou a CNE.
O mau tempo já obrigou ao ajuste de “alguns locais de voto em determinados concelhos ou freguesias, para garantir o normal funcionamento das mesas de voto”.
Até ao momento, já solicitaram alteração de local de voto municípios de 10 dos 18 distritos de Portugal Continental e um da Região Autónoma da Madeira, pedido aprovado pela CNE, segundo o Portal do Eleitor, da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI).
Braga, Bragança, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Lisboa, Santarém, Vila Real e Viseu são os 10 distritos com municípios que já pediram mudanças.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) indicou hoje que haverá “alterações pontuais” de locais de voto no próximo domingo, dia da segunda volta das eleições presidenciais, devido aos estragos causados pela tempestade Kristin.
Lusa | 16:47 – 03/02/2026
Como saber onde votar?
A informação sobre a alteração de locais de voto “por motivos de força maior” está disponível no Portal do Eleitor, que pode consultar através deste link.
Ainda assim, a CNE recomenda que os eleitores confirmem o seu local de voto através do número 3838 ou em www.recenseamento.mai.gov.pt.
Na mensagem para o número 3838, deve escrever “re (espaço) número de identificação civil (espaço) data de nascimento (aaaammdd)”. Exemplo: re 12345678 19750910
Os cidadãos elegem o próximo Presidente da República numa segunda volta no domingo, depois de António José Seguro ter obtido na primeira volta 31,1% (1.755.563 votos) e André Ventura 23,5% (1.327.021 votos).
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

O mau tempo, a destruição causada pela tempestade Kristin e as sondagens, que dão uma grande diferença entre os candidatos presidenciais à segunda volta, poderão desmobilizar os eleitores e fazer aumentar a abstenção, defendem politólogos ouvidos pela Lusa.
Lusa | 11:18 – 04/02/2026