A Iniciativa Liberal admitiu em comunicado que recebeu duas denúncias de assédio sexual e o Observador sabe que uma delas se refere ao caso de Inês Bichão. O Partido diz, no entanto, que “nunca houve qualquer insinuação, relato, queixa ou denúncia, de qualquer natureza, em qualquer momento, na história da Iniciativa Liberal relativamente a João Cotrim Figueiredo.” Ou seja: sugere que os alvos dessa denúncia foram outros membros da IL.
Nesse mesmo comunicado, o partido nega encobrimento desses casos e anuncia a contratação de um advogado para agir com as “reações judiciais que se impõem” às “suspeitas infundadas e danosas” de que diz ter sido alvo.
A IL — ao contrário do que tinha afirmado até esta quarta-feira — admite duas “situações desta natureza”, sem especificar que natureza. Quanto a detalhes, o mesmo comunicado diz que, a primeira delas, “deu lugar a um processo formal que seguiu todos os trâmites que se exigiam, tanto legais como internos, tendo sido arquivado.”
Já a segunda situação, que o Observador sabe que se refere a queixas de Inês Bichão, “não identificava quaisquer factos e não indicava evidências, tendo a IL desenvolvido tentativas para que a mesma fosse desenvolvida ou concretizada, sem nunca ter obtido qualquer resposta por parte da sua autora.”
Apesar do alegado desinteresse da denunciante, o mesmo comunicado diz que “foi dado seguimento a uma averiguação independente, recorrendo a suporte jurídico externo, que envolveu toda a informação que foi possível reunir e da qual saiu a conclusão de que não havia quaisquer evidências da veracidade da situação relatada.”
O advogado contratado pela Iniciativa Liberal para agir judicialmente sobre as acusações de que foi alvo, informa o partido, foi Paulo Saragoça da Matta.
Texto atualizado às 14h06 após o Observador confirmar que a segunda denúncia referida pela IL se refere ao caso de Inês Bichão.