O comandante nacional da Protecção Civil, Mário Silvestre, reconheceu nesta quarta-feira, em declarações aos jornalistas, que a estrutura foi apanhada de surpresa pela depressão Kristin e justificou a sua ausência nos primeiros dias da crise com a escassez de informação meteorológica disponível à data.
“No dia 25 tivemos um briefing com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) que nada antevia [sobre a depressão Kristin]. Seria uma semana perfeitamente normal de inverno. Se soubesse, era óbvio que não ia sair do país”, afirmou, referindo-se a uma deslocação a Bruxelas para uma formação, autorizada pelo presidente da ANEPC.
O responsável acrescentou que o fenómeno só foi comunicado à Protecção Civil a 27 de Janeiro e garantiu que, apesar da distância, esteve sempre em contacto com a estrutura operacional. “Nada deixou de ser feito por causa da minha ausência”, assegurou.
Nível 4 de empenhamento até sexta-feira
No balanço das operações relativas ao mau tempo realizado na manhã desta quarta-feira, Mário Silvestre confirmou que a Protecção Civil manterá o nível 4 de empenhamento no terreno pelo menos até sexta-feira, com pré-posicionamento de meios em várias zonas do país e centros de coordenação operacionais do nível municipal ao nacional.
Desde 1 de Janeiro até às 12h desta quarta-feira foram registadas 3326 ocorrências relacionadas exclusivamente com inundações, mobilizando 11.444 operacionais e 4575 meios terrestres. Para reconhecimento das áreas de risco, estão a ser utilizados três meios aéreos, tendo sido também mobilizado o avião P3 da Força Aérea e o serviço de cartografia do mesmo organismo militar, que está a apoiar a leitura do território através de imagens de satélite.
De acordo com dados da Segurança Social, há actualmente 145 pessoas deslocadas em Leiria, 53 em Castelo Branco e 53 em Santarém. Em Coruche, 132 utentes de um lar estão a ser avaliados devido à subida do rio Sorraia, sendo que o edifício pode vir a ser evacuado.
Relativamente às zonas que poderão registar maior pressão nos próximos dias, o comandante apontou Alcácer do Sal e a área do rio Lis, em Monte Real, mas descreveu o quadro actual como “bastante estável”, atribuindo esse cenário à intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Admitiu ainda que, caso a situação se agrave, poderá se accionado o mecanismo europeu de protecção civil.
Quanto aos efeitos da depressão Kristin, Mário Silvestre considera que “já não existem ocorrências relevantes” no terreno, estando agora o esforço concentrado na reposição da rede eléctrica. Segundo dados transmitidos à Protecção Civil pela EDP, há ainda 90 mil clientes sem fornecimento, o que representa, contudo, “um decréscimo”, segundo o comandante.