Entre ruas de pedra irregular, pátios caiados e colunas que se perdem de vista, esta cidade andaluza preserva uma das heranças culturais mais ricas da Europa. Ao longo dos séculos, foi moldada por romanos, emires, califas, reis cristãos e comerciantes sefarditas. Hoje, é uma das cidades com mais locais classificados como Património da Humanidade pela UNESCO — um estatuto raro que reflete a diversidade e a profundidade da sua história.

Uma cidade com história em camadas

Esta cidade no sul de Espanha não é de cronologias lineares. Cada civilização que aqui passou deixou uma marca e, em vez de apagar as anteriores, as novas ocupações adaptaram o que já existia, resultando numa cidade em camadas, com um centro histórico onde os traços islâmicos, cristãos e judaicos se cruzam. Aqui, a história é matéria visível.

Mesquita-Catedral de Córdova

Mesquita-Catedral de Córdova
Créditos: Gabriel Trujillo em Unsplash

O que ver: património UNESCO e espaços menos óbvios
A Mesquita-Catedral

Classificada pela UNESCO, é uma obra-prima da arquitetura islâmica e, ao mesmo tempo, um símbolo da complexidade histórica da cidade. Construída como mesquita, transformada em catedral, preserva a sucessão de colunas e arcos mouriscos, criando um espaço monumental onde o diálogo entre religiões e tempos é inevitável.

Mesquita-Catedral de Córdova

Mesquita-Catedral de Córdova
Créditos: Girl with red hat em Unsplash

Os pátios tradicionais

Os pátios de Córdova, também reconhecidos como Património Imaterial da Humanidade, são muito mais do que uma atração sazonal. Durante o Festival dos Pátios, em maio, abrem-se as portas dos mais bem cuidados, mas mesmo fora dessa época há pátios privados onde a arquitetura vernacular e o aproveitamento da luz e da água mantêm a função original: refrescar e criar um refúgio dentro de casa.

Os pátios tradicionais de Córdova são um dos ícones da cidade

Os pátios tradicionais de Córdova são um dos ícones da cidade
Créditos: Jessica Alves em Unsplash

A Ponte Romana e a Torre de la Calahorra

Parte da paisagem urbana desde o século I a.C., a Ponte Romana atravessa o Guadalquivir e conduz à Torre de la Calahorra, uma fortificação de origem islâmica. Atravessar esta ponte é uma forma de observar a cidade na sua escala histórica, ligando margens e épocas.

Córdova

Córdova
Créditos: Christian Hergesell em Unsplash

A Judería

O antigo bairro judeu, preservado e protegido pela UNESCO, é um labirinto de ruas estreitas, pequenas praças e pátios escondidos. Entre fachadas caiadas e portas de madeira escura, é possível intuir fragmentos da vida sefardita que existiu aqui até ao século XV.

O Alcázar dos Reis Cristãos

Com jardins geométricos e muralhas imponentes, este palácio-fortaleza foi uma das residências da monarquia cristã após a Reconquista. Foi também aqui que Cristóvão Colombo foi recebido antes da sua viagem às Américas.

Alcázar dos Reis Cristãos de Córdova

Alcázar dos Reis Cristãos de Córdova
Créditos: Turismo de Espanha

Quando visitar: fora da época alta para uma experiência mais autêntica

Embora o Festival dos Pátios, em maio, seja um dos eventos mais conhecidos, Córdova merece uma visita fora das datas festivas. Setembro e outubro oferecem temperaturas mais suaves, menos turistas e uma cidade com o seu ritmo natural.

Córdova

Córdova
Créditos: haidong wang em Unsplash

Como chegar a partir de Portugal

De avião: A forma mais prática é voar de Lisboa ou Porto para Sevilha, com voos diretos frequentes. A partir de Sevilha, a ligação de comboio de alta velocidade (AVE) demora cerca de 45 minutos.

De carro: A partir do Algarve, a viagem por estrada é direta através da A-49, ligando Faro a Sevilha em pouco mais de 2 horas. De Sevilha a Córdova, são cerca de 1h30 de carro.

De comboio: Para quem prefere transporte ferroviário, há ligações internacionais de Lisboa para Madrid, de onde parte o AVE para Córdova (cerca de 2 horas).