No sábado, José conseguiu que fossem entregues duas carrinhas de materiais vindas de Lisboa e mais quatro no domingo com todo o tipo de artigos alimentares e de higiene. “A junta é pequena e também não estava preparada para isto”, refere. A experiência na logística da Proteção Civil fez com que pudesse logo montar uma “rede de rádio” para que os voluntários pudessem comunicar mais facilmente.

Considera que há mais know-how que podia ter sido aproveitado estes dias. “Da unidade especial da GNR, Urban Search and Rescue (USAR), por exemplo, não vi aqui ninguém“, refere. E diz que há medidas que tardaram — como a criação de um posto móvel para multibancos para que as pessoas pudessem levantar dinheiro. “Muitas pessoas ficaram desorientas e muito stressadas por não conseguirem ter dinheiro”.

Neste momento diz que a “fase do socorro” já passou e que a Vieira de Leiria já está mais numa”fase da recuperação”. E apela: “Agora é preciso mais materiais de construção – telhas, tijolos e areia — e voluntários para ajudar”.

Os avisos sobre o que está disponível e o que faz falta em Vieira de Leiria estão em cartazes feitos à mão, bem visíveis a quem circula a pé ou de carro, com setas a indicar a direção dos locais — para a junta e para o mercado municipal onde agora são distribuídas telhas, lonas de grande dimensão e todo o tipo de material de construção.

Na fila da junta, Carla diz ao Observador que o que faltou nos primeiros dias após a tempestade foi, além do apoio, a informação. “Eu só soube ontem que podia vir. Devia ter havido mais informação, nem que fosse por militares na estrada a fazer essa comunicação“, sugere.

“Isto foi horrível para toda a gente e nesta zona há muitos idosos que não sabiam o que fazer”, relata. “Estou há cinco dias sem dormir e chove-me dentro de casa. Tenho chorado, limpado e rezado a Deus, tem sido uma carga de nervos”, diz ainda, depois de ter recebido orientações para se deslocar ao mercado para receber telhas e outros materiais.