A atriz e influenciadora Evelin Camargo utilizou as redes sociais para contar que foi diagnosticada com um tipo raro de câncer associado a implantes de silicone. De acordo com o relato da artista, ela foi buscar atendimento médico após notar uma alteração no tamanho de uma das mamas. 

Inicialmente, os médicos suspeitaram de uma ruptura na prótese, mas exames de imagem descartaram a suspeita. Avaliações complementares revelaram que se tratava de um linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL). 

Evelin compartilhou sua experiência em um vídeo publicado nas redes sociais como forma de conscientização para outras mulheres. A atriz explicou que o câncer foi detectado em estágio inicial, estando restrito apenas à área da prótese.

“É muito difícil falar sobre isso, mas há pouco mais de uma semana eu fui diagnosticada com linfoma anaplásico de grandes células causado pelo implante de silicone. É um linfoma conhecido por BIA-ALCL. É extremamente raro, eu nunca tinha ouvido falar, mas isso aconteceu comigo”, contou.


“A boa notícia é que o tratamento, na maioria das vezes, é a retirada da prótese. Eu fiz um exame no sábado, que eu estava esperando o resultado pra poder vir falar com vocês e pra saber qual é o grau, eles chamam de estadiamento. Graças a Deus o exame saiu e ele [o linfoma] realmente está só na prótese, então o meu tratamento vai ser o explante”, explicou. 

O que é um linfoma anaplásico de grandes células da mama? 

De acordo com o mastologista Henrique Lima Couto, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais, o linfoma anaplásico de grandes células da mama é um câncer dos linfócitos, que são as células de defesa da mama. Ele se desenvolve por conta de uma inflamação crônica, comumente associada à presença de silicone há mais tempo, de uso crônico. 

Embora tenha relação com os implantes de silicone, o médico ressalta que a doença é rara e não deve ser considerada como razão para que o paciente deixe de fazer cirurgias estéticas ou uma reconstrução da mama. “É um evento muito, muito raro”. A recomendação, por outro lado, é fazer o acompanhamento médico do silicone. “Portadores de prótese de silicone devem fazer controle anual para poder ter certeza de que está tudo bem, mas não é um motivo de se retirar o implante preventivamente”, afirma. 

O cirurgião plástico Fernando de Azevedo Lamana, diretor do Centro de Medicina Estética Alvorar, reforça o coro, pontuando que as próteses de silicone não são um “dispositivo vitalício sem manutenção”. “A consulta anual serve para checar sinais clínicos precoces de problemas relativamente comuns (contratura capsular, assimetrias progressivas, dor nova, alterações de consistência, deslocamento, dobras/pregas) e, principalmente, para orientar quando e como fazer exames de imagem. Para implantes de silicone, a recomendação do FDA (órgão regulador norte-americano) é iniciar rastreio de integridade com ultrassom ou ressonância entre 5 e 6 anos após a cirurgia e repetir a cada 2 a 3 anos, mesmo sem sintomas”, pontua. “Além disso, a avaliação periódica é a melhor forma de reconhecer rapidamente os sinais de alerta do BIA-ALCL (inchaço persistente, massa/nódulo, dor, assimetria de início tardio), que tendem a aparecer anos depois da cirurgia”. 

O tratamento para pacientes que desenvolvem a doença é feito a partir da retirada da prótese. “É um tratamento inicialmente cirúrgico, com a retirada do cápsula do silicone, da cápsula biológica do silicone, que envolve toda aquela massa e, eventualmente, pode ser necessária a retirada dos linfonodos comprometidos”, explica Henrique.