Outro fator crítico apontado pelo especialista é a sedimentação do leito do rio, em particular na zona do açude-ponte de Coimbra, que reduz a capacidade de escoamento e aumenta a frequência das inundações. A isto soma-se, segundo o engenheiro, uma crónica falta de manutenção das infraestruturas hidráulicas em Portugal.

“Construímos, mas não somos bons a planear a conservação. Quando há dinheiro, fazem-se obras; depois falta verba para manter”, criticou, comparando a situação com a degradação acelerada das construções modernas.

Relativamente à atual subida do caudal do Mondego, Alfeu Sá Marques considera que a situação tem sido bem gerida pelas autoridades, nomeadamente pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Proteção Civil. A rotura do dique fusível no Baixo Mondego, explicou, ocorreu exatamente como previsto nos cenários de segurança.

“O sistema funcionou como devia funcionar”, afirmou, estimando que o caudal máximo em Coimbra dificilmente ultrapassará os 1.600 metros cúbicos por segundo, um valor elevado, mas longe de um cenário catastrófico. Ainda assim, deixou um aviso claro: sem Girabolhos e sem mudanças no ordenamento do território, o risco estrutural mantém-se.

O antigo professor sublinhou a importância da comunicação científica com a sociedade. “Uma das razões pelas quais os cidadãos pagam às universidades é para que o conhecimento seja explicado às pessoas”, afirmou.