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Restaurador admitiu inspiração na primeira-ministra e apagou-a da basílica, após anúncio de duas investigações. A “mulher mais poderosa do país” achou graça, mas admitiu: não é nenhum anjo.

O restauro de uma figura angelical na Basílica de San Lorenzo in Lucina, no centro de Roma, tornou-se alvo de duas investigações. Porquê? As semelhanças do “novo” anjo com a “mulher mais poderosa do país” são inegáveis.

Tanto a diocese local como o Ministério da Cultura italiano estão a investigar a mudança brusca na aparência daquele que antes seria um querubim ( anjos ou animais mencionados no Antigo Testamento que estariam em primeiro lugar na hierarquia celeste, logo abaixo de Deus) “genérico”.

Agora restaurado, a figura religiosa, que segura um pergaminho com o desenho da “bota” do país, tem um rosto que muitos consideram ser igualzinho ao da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.

Giorgia Meloni/Instagram

A figura, restaurada, na histórica basílica romana.

No fim de semana passado, vários jornais italianos admitiram as semelhanças comentadas nas redes sociais e publicaram imagens do querubim instalado numa capela lateral perto do altar-mor. O diário La Repubblica foi o primeiro a sublinhar a mudança e as parecenças com a primeira-ministra. Antes da intervenção, descreveu “um querubim genérico”; após a renovação, este tinha “o rosto da mulher mais poderosa do país”.

A basílica em que se encontra o anjo da polémica é conhecida por ser uma das igrejas mais antigas da cidade e, se era ponto de passagem de turistas, nos últimos dias, ainda mais popular se tornou.

O restaurador, Bruno Valentinetti, negou inicialmente ter usado a primeira-ministra como modelo, assegurando que se limitou a recuperar a pintura original que terá criado em 2000. Atribuiu a semelhança “ao olhar de quem vê”. No entanto, já terá apagado o rosto de Meloni, e segundo o La Repubblica, admitiu: “Sim, era o rosto da primeira-ministra, mas seguindo as linhas da pintura anterior.”

O Ministério da Cultura disse ter enviado ao local um delegado especial e técnicos para avaliarem a intervenção e “decidir o que fazer”.

Do lado da Igreja, o vigário de Roma, o cardeal Baldassare Reina, manifestou “desilusão” e anunciou um inquérito interno para apurar responsabilidades. Em comunicado, a diocese reforçou que imagens de arte sacra e da tradição cristã não devem ser “mal utilizadas ou exploradas”.

E como seria de esperar, a oposição não tardou a criticar o restauro. O Movimento 5 Estrelas considerou que a arte e a cultura não podem ser transformadas em “instrumento de propaganda”, independentemente de a figura retratada ser ou não a da chefe do Governo.

Entretanto, a própria Meloni reagiu à polémica, com humor, nas redes sociais. “Não, definitivamente não pareço um anjo”, escreveu, numa publicação no Instagram acompanhada de um emoji a chorar de rir e da fotografia do querubim.

As investigações procuram agora determinar qual era, afinal, o aspeto do querubim antes da obra, que já foi, apesar de tudo, divulgado nas redes sociais e por outros jornais. Os memes já começaram a “chover”, inclusive imagens do querubim com semelhanças óbvias com Britney Spears.


Tomás Guimarães, ZAP //


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