A ministra do Ambiente e Energia anunciou que o Governo quer investir em enterrar parte da rede elétrica no subsolo, para evitar a vulnerabilidade da rede perante ventos como os que o país enfrentou na semana passada, com a depressão Kristin.
Assumindo que isso custa “15 vezes mais”, Maria da Graça Carvalho avisou que esse trabalho pode “demorar vários anos”.
Para isso, “ou temos financiamento europeu” e parte “ou é financiada pelos contribuintes ou é financiada pelos consumidores”, explicou, em entrevista à SIC Notícias.
“Vamos, por exemplo, já falámos com o PRR, haverá uma decisão muito em breve, de algum financiamento que ainda temos disponível no PRR, podermos fazer unidades autónomas, mas renováveis”, acrescentou também.
Em entrevista à SIC Notícias, Maria da Graça Carvalho assumiu que “o nosso sistema elétrico foi completamente devastado naquela zona, naquele corredor de Leiria, a Figueira e até quase a Espanha”. Segundo a ministra, os ventos varreram os postes de alta, média e baixa tensão, que “não estão preparados” para ventos na ordem dos 200 km/h.
“Os postes estão preparados para ventos de até 150 km/h”, explicou. “Nós não temos rede e postes para aguentar esses ventos. A única possibilidade era se tivessemos rede enterrada, que é muito mais cara.”
Maria da Graça Carvalho admitiu que o Governo já estava a par das previsões de rajadas na ordem dos 140 km/h mas “já não havia nada a fazer” quanto a “substituir um sistema de rede elétrica nacional”.
“Havia [algo a fazer] em relação às pessoas no sentido de dizer – e isso foi feito – de evitar sair de casa, tirar os toldos”, continuou. “Agora, em relação à rede, uma rede deste género demora muitos meses ou anos a ser construída. É um sistema extremamente complexo.”
Nesse sentido, com parte da rede enterrada no futuro, “estaremos melhor preparados”, garantiu.
Questionada sobre por que razão, perante a previsão de que a rede elétrica não seria resiliente a estes ventos, o Governo distribuiu geradores, a ministra justificou que também a distribuição de geradores é “complexa”.
“Nós tivémos a previsão da magnitude muito perto do evento. [Quando] tivémos essa informação, não nos dava tempo de distribuir geradores naquela zona porque aquela zona é extremamente complexa do ponto de vista de rede, porque é muito dispersa. Nós temos as pessoas muito dispersas pelo pinhal de Leiria, em Pombal, no concelho de Leiria, na Marinha Grande…”, explicou a ministra do Ambiente. “Temos de nos preparar.”
Garantindo que, apesar de tudo, o país estava mais preparado do que antes do apagão, uma vez que agora várias instalações críticas já dispõem de geradores, Maria da Graça Carvalho sublinhou que “nunca tivémos uma tempestade destas”.
“Estamos a fazer um grande investimento. Também temos de comparar aqui o investimento com a probabilidade dos acontecimentos… E, no passado, a probabilidade era muito baixa. Deixou de ser”, explicou.
95% dos clientes com luz até sábado. 100%? Só no fim do mês
Tal como já tinha feito esta tarde, a ministra do Ambiente e Energia assegurou novamente, nesta entrevista, que, no sábado, “95% dos clientes terão acesso à rede” e, no sábado seguinte, “serão 98%”.
Segundo a governante, até ao fim de fevereiro “tudo fica reposto a 100%”.
Após uma reunião sobre a gestão de cheias na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), na Amadora, Maria da Graça Carvalho já tinha anunciado que o Governo pediu à E-Redes um calendário de reposição da energia, na sequência do corte generalizado em várias regiões do centro do país devido à depressão Kristin, da semana passada.
Segundo a empresa na tarde de hoje havia ainda 76.000 clientes sem energia.
A ministra disse que os últimos dois por cento de reposição de energia são os mais difíceis, mas que a E-Redes disse que vai fazer tudo para estarem resolvidos até ao final do mês.
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