A região que está a ter maior impacto da depressão Leonardo, que atinge e Península Ibérica desde quarta-feira, é a Andaluzia, onde o risco de inundações já levou à retirada de mais de quatro mil pessoas de casa por precaução, disse a proteção civil local. Uma mulher está desaparecida na zona de Málaga desde quarta-feira, depois de ter sido arrastada pela água.

A situação é “bastante difícil” e “nunca vista”, afirmou o presidente da Junta da Andaluzia (governo regional), Juanma Moreno, que pediu “máxima prudência” à população. Em declarações a jornalistas, Juanma Moreno sublinhou que os solos estão “absolutamente saturados” e “já não engolem mais água, já não drenam mais água, já a cospem”. “O nível dos rios e ribeiras está acima do nível máximo em muitos locais da província de Cádis e do resto da Andaluzia”, a que se somam algumas barragens, “que já estão praticamente a 100%”, afirmou.

O presidente regional indicou que há barragens a ter de fazer descargas e que isso “lamentavelmente significa” que “haverá zonas afetadas”, especialmente na cidade de Jerez.

Na Andaluzia há 15 municípios isolados e 87 estradas cortadas ou com perturbações por causa de inundações e das chuvas, disse o presidente autonómico. Registam-se ainda perturbações nas ligações ferroviárias em toda a região.

Os serviços de emergência já registaram mais de 3255 ocorrências associadas à depressão Leonardo.

A situação dos rios e barragens também é preocupante noutras zonas de Espanha, como a Extremadura (na fronteira com Portugal).

Segundo a Confederação Hidrográfica do Tejo (que gere diversos rios, e não apenas o Tejo, e se estende desde a região de Madrid até à da fronteira com Portugal), 20 estações de medição de caudais estão em “aviso hidrológico vermelho”, com risco de transbordo e inundações. A maioria (15) está na região de Cáceres, Extremadura.

Quanto às barragens, havia às 18 horas locais (17 horas em POrtugal continental) nove de vários rios em aviso vermelho e a fazer descargas, depois da acumulação de água nos últimos dias.

Sete dessas barragens estão na Extremadura e uma delas é a de Cedillo, na fronteira com Portugal e na confluência do Sever com o Tejo.

Esta barragem estava à mesma hora a descarregar 6.348,55 metros cúbicos de água por segundo, o valor mais elevado de todas as descargas que estão a ser feitas nesta Confederação Hidrográfica.

Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.