Stellantis afunda mais de 22% e atira Europa para o vermelho


As principais praças europeias estão a negociar maioritariamente em território negativo, com Madrid e Lisboa a escaparem de perdas, num dia em que os investidores continuam a mostrar aversão ao risco e o setor automóvel pesa em grande escala na negociação. 


A esta hora, o Stoxx 600, “benchmark” para a negociação europeia, cai 0,25% para 610,10 pontos, depois de na sessão anterior ter desvalorizado mais de 1% – pressionado sobretudo pelos setores da banca e mineiro. Esta sexta-feira, as instituições financeiras registam um dos melhores desempenhos do principal índice do Velho Continente, acompanhadas pelas ações ligadas às “utilities” (água, luz e gás). 


No setor automóvel, a Stellantis afunda 22,40% para 6,34 euros, tocando mínimos de 2020, depois de ter revelado que terá de arcar com 22 milhões de euros em despesas relacionadas com uma reformulação das suas operações, numa altura em que a fabricante de automóveis enfrenta custos elevados e vendas de veículos elétricos que não conseguem competir com os pares chineses. A empresa decidiu não pagar dividendos este ano. 


O Stoxx 600 atingiu recentemente máximos históricos, mas uma época de resultados que se tem mostrado mista tem limitado os ganhos do “benchmark” europeu. Mesmo assim, o índice está a registar um melhor ano do que os pares norte-americanos, depois de um “sell-off” nas ações tecnológicas do país ter revertido os avanços anuais do S&P 500 e do Nasdaq Composite e atirado os índices para um saldo negativo. 


“A Europa tem muito menos exposição à tecnologia do que os EUA, por isso faz sentido que esteja a ter um desempenho superior neste momento”, explica Laurent Lamagnere, vice-presidente executivo da Alphavalue, à Bloomberg. “Dito isto, os vencedores da inteligência artificial estão na China e nos EUA, não na Europa, por isso, a longo prazo, a posição dos mercados bolsistas europeus não é assim tão favorável”, antecipa. 


Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX recua 0,10%, o francês CAC-40 cede 0,37%, enquanto o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,66%, o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,29% e o neerlandês AEX cai 0,28%. Já o espanhol IBEX 35 avança 0,19% e o português PSI ganha 0,18%.