Apesar de ‘parecer’, por agora, menos grave que a Kristin, a Marta é uma tempestade bastante intensa, com vento forte, cujas rajadas chegarão aos 100 a 150 km/h, chuva consecutiva durante várias horas (a partir das 5h00 e até cerca das 10h00) que coincide com a maré cheia (6h12) e, devido à massa de ar frio que arrasta, deixará o norte do país coberto de neve. E voltará a causar, de novo, muita agitação marítima.
Para já, a horas daquele que se espera ser o momento de entrada da tempestade Marta em Portugal, prevê-se que o seu impacto seja menor do que o da Kristin, tendo em conta os modelos meteorológicos e as imagens de satélite. E que pode também haver um pequeno desvio em relação à zona onde pode entrar continente adentro: em vez da Grande Lisboa e bacia do Sado, as previsões apontam agora, novamente, para Leiria e Coimbra (devastadas pela passagem da Kristin), descendo depois para a zona a bacia do Tejo, até entrar na Andaluzia pelo sul do Alentejo, num trajeto que pode causar muitos estragos.
#Tempo: Prevê-se que a depressão Marta que irá atravessar o norte da Península Ibérica este sábado seja menos intensa que a depressão Kristin. Aviso laranja vento em Faro, Beja, Setúbal, Lisboa, Leiria com rajadas até 100/120 km/h, serras e litoral???? https://t.co/Noum4tEcap pic.twitter.com/WDo1KVya72
— IPMA (@ipma_pt) February 6, 2026
O IPMA publicou os mapas de comparação no mesmo momento de aproximação à Península Ibérica das duas tempestades. É possível ver que a pressão do núcleo da Kristin era de 975 hPa enquanto o da da Marta estava no de 990 hPa. Significa que o núcleo da Kristin estava bem mais aprofundado, e tinha-se cavado de forma muito rápida, criando assim os ventos ciclónicos no seu interior, que provocaram as rajadas de mais de 200km/h (ainda não oficiais) pelo seu jet sting, que destruíram a região de Leiria. A Marta ainda não mostra nada desta gravidade, mas traz novamente ventos muito fortes, que podem chegar aos 150 km, e pode atingir de novo a mesma zona, fazendo contudo um percurso descendente e não ascendente, para sudeste e não nordeste.
WATCHING MARTA VERY CLOSELY… The possibility exists of another very intense wind scenario close to the center of low pressure tomorrow (Saturday) as I mentioned in my last post. We don’t know exactly how strong this could be, or what part of the coast will be affected.… pic.twitter.com/oLeUlANITf
— Weather Watcher (@WXWatcher07) February 6, 2026
Estaremos, portanto, perante mais uma situação de risco de cheias, inundações, derrocadas e deslizamento de terras, sobretudo nas áreas do Mondego, do Tejo e do Sado, que já são das mais afetadas. E mais destroços na zona de Leiria, Santarém e Lisboa devido ao vento.
Take this seriously!
Storm #Marta could have a similar landfall as storm Kristin, the threat is the same, a sting jet, although less powerful. Winds above 130km/h is more than enough to rip of trees especially with the saturated soils.
I will keep all of you updated on this! pic.twitter.com/BWkKSYHHdi
— Weather Advisory (@WX_Advisory) February 6, 2026
As cheias e inundações surgem num dos trimestres mais chuvosos dos últimos 25 anos. Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, os valores são já cerca de 1.5 a 2 vezes o valor normal na maior parte das bacias hidrográficas. Em várias regiões, a precipitação acumulada aproxima-se ou já corresponde ao valor médio anual esperado. O que colocam estes três meses como os sétimos mais mais chuvosos desde 1931 e o segundos desde 2000.
O mês de janeiro de 2026 destaca-se de forma particular, com um total de precipitação cerca do dobro do valor médio mensal. Fica assim como o 2.º janeiro mais chuvoso desde 2000 e o 14.º desde 1931. Todas as estações meteorológicas registaram valores superiores ao normal e, em grande parte do país, a precipitação variou entre 150% e 300% da média, atingindo localmente valores ainda mais elevados, segundo dados do IPMA.
Este padrão resultou do padrão meteorológico com uma circulação atmosférica de oeste, associada a um transporte intenso de humidade. O tal corredor abertos para os comboios de tempestades e, ao mesmo tempo, para os rios atmosféricos das Caraíbas. Daí a chuva frequente e persistente, com impacto positivo no volume das barragens, mas ao mesmo tempo com os riscos que estamos a viver: cheias, inundações e deslocamento de terras.
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