Apesar de ‘parecer’, por agora, menos grave que a Kristin, a Marta é uma tempestade bastante intensa, com vento forte, cujas rajadas chegarão aos 100 a 150 km/h, chuva consecutiva durante várias horas (a partir das 5h00 e até cerca das 10h00) que coincide com a maré cheia (6h12) e, devido à massa de ar frio que arrasta, deixará o norte do país coberto de neve. E voltará a causar, de novo, muita agitação marítima.

Para já, a horas daquele que se espera ser o momento de entrada da tempestade Marta em Portugal, prevê-se que o seu impacto seja menor do que o da Kristin, tendo em conta os modelos meteorológicos e as imagens de satélite. E que pode também haver um pequeno desvio em relação à zona onde pode entrar continente adentro: em vez da Grande Lisboa e bacia do Sado, as previsões apontam agora, novamente, para Leiria e Coimbra (devastadas pela passagem da Kristin), descendo depois para a zona a bacia do Tejo, até entrar na Andaluzia pelo sul do Alentejo, num trajeto que pode causar muitos estragos.

O IPMA publicou os mapas de comparação no mesmo momento de aproximação à Península Ibérica das duas tempestades. É possível ver que a pressão do núcleo da Kristin era de 975 hPa enquanto o da da Marta estava no de 990 hPa. Significa que o núcleo da Kristin estava bem mais aprofundado, e tinha-se cavado de forma muito rápida, criando assim os ventos ciclónicos no seu interior, que provocaram as rajadas de mais de 200km/h (ainda não oficiais) pelo seu jet sting, que destruíram a região de Leiria. A Marta ainda não mostra nada desta gravidade, mas traz novamente ventos muito fortes, que podem chegar aos 150 km, e pode atingir de novo a mesma zona, fazendo contudo um percurso descendente e não ascendente, para sudeste e não nordeste.

Estaremos, portanto, perante mais uma situação de risco de cheias, inundações, derrocadas e deslizamento de terras, sobretudo nas áreas do Mondego, do Tejo e do Sado, que já são das mais afetadas. E mais destroços na zona de Leiria, Santarém e Lisboa devido ao vento.

As cheias e inundações surgem num dos trimestres mais chuvosos dos últimos 25 anos. Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, os valores são já cerca de 1.5 a 2 vezes o valor normal na maior parte das bacias hidrográficas. Em várias regiões, a precipitação acumulada aproxima-se ou já corresponde ao valor médio anual esperado. O que colocam estes três meses como os sétimos mais mais chuvosos desde 1931 e o segundos desde 2000.

O mês de janeiro de 2026 destaca-se de forma particular, com um total de precipitação cerca do dobro do valor médio mensal. Fica assim como o 2.º janeiro mais chuvoso desde 2000 e o 14.º desde 1931. Todas as estações meteorológicas registaram valores superiores ao normal e, em grande parte do país, a precipitação variou entre 150% e 300% da média, atingindo localmente valores ainda mais elevados, segundo dados do IPMA.

Este padrão resultou do padrão meteorológico com uma circulação atmosférica de oeste, associada a um transporte intenso de humidade. O tal corredor abertos para os comboios de tempestades e, ao mesmo tempo, para os rios atmosféricos das Caraíbas. Daí a chuva frequente e persistente, com impacto positivo no volume das barragens, mas ao mesmo tempo com os riscos que estamos a viver: cheias, inundações e deslocamento de terras.

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