O processo continua na mesma turbina “que tem um veio que está ligado a uma caixa de velocidades para um alternador que produz energia elétrica”. Esta, em circunstâncias regulares, era até agora vendida para a rede pública. Após três dias de testes, foi possível redirecioná-la em parte para as próprias máquinas de produção.
O maior desafio para chegar ao resultado, esclarece Fernando Leite, diretor de operações da unidade e membro da comissão executiva do grupo MCS Portugal, foi perceber como arrancar o sistema com a nova funcionalidade, que nunca tinha sido testada, nem sequer após o apagão de abril do ano passado.
Foi preciso um gerador ficar responsável pela alimentação do arranque da cogeração. Depois disso perceberam que a turbina era suficiente para conseguir autonomizar a produção, ficando independente do regresso do fornecimento de energia pública.
“Esta foi a nossa luta noite e dia”, diz Sofia Batista, admitindo que, se estivessem dependentes da reposição da E-Redes, não teriam conseguido retomar a produção naquele momento.
“Acabámos de informar os nossos principais clientes de que a unidade neste momento está operacional dentro destas circunstâncias”, afirmava no sábado Sofia Batista. Os maiores clientes da empresa com sede em Leiria são a Vista Alegre e uma unidade que produz para o Ikea.
A produção daquele polo é focada essencialmente em pastas cerâmicas que “são uma mistura de vários minerais processados que o cliente pode conformar diretamente”, explica. “Neste caso estamos a falar de pós atomizados e granulados que são utilizados na produção de revestimentos — azulejos a pavimento — e de louça de mesa”.
No exterior da fábrica era possível assegurar que a produção estava mesmo a acontecer. O “fumo” a sair da chaminé era a prova disso. Não é fumo, é “vapor de água”, corrige Fernando Leite. No interior da fábrica, o barulho das máquinas também não deixa margem para as dúvidas, mesmo sem eletricidade disponível, o granulado de cerâmica estava a ser produzido e cai em grandes depósitos, como acontecia até à madrugada de quarta-feira.