A Revista de Vinhos realizou esta sexta à noite a sua gala anual, na Sala do Arquivo do Centro de Congressos da Alfândega do Porto, para dar a conhecer “Os Melhores de 2025”, entre várias categorias de vinhos e gastronomia.

Na cerimónia, que se realiza há 30 anos, um dos principais prémios foi para a Herdade do Sobroso: é o Produtor do Ano, precisamente numa altura em que está a celebrar um quarto de século de actividade. A distinção, destacou a revista especializada, deve-se ao “trabalho exemplar desenvolvido pelo casal Sofia Ginestal Machado e Filipe Teixeira Pinto à frente de uma vasta propriedade de 1.600 hectares junto ao Alqueva, nas margens do Guadiana”. Já o Produtor Revelação do Ano é a VineVinu, que “reúne pai e filho, António Luís e Manuel Cerdeira”, um “novo produtor da região dos Vinhos Verdes”, com oito referências, nomeadamente um “curioso espumante de Paredes de Coura”.

No Alentejo fica ainda outro prémio grande: o Vinho do Ano é o tinto Cartuxa Reserva 2019, “um clássico do Alentejo, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida (FEA) pela primeira vez em 1987”. O vinho, “musculado e elegante”, sublinha-se, “resulta de um lote das variedades Alicante Bouschet, Aragonez e Cabernet Sauvignon”. Um “vinho cheio de alma e carácter”, tinha considerado Manuel Carvalho numa crítica recente na Fugas – Terroir (deu-lhe 93 pontos – em 100).

Nome Cartuxa Reserva Tinto 2019

Produtor Cartuxa;

Castas Syrah, Castelão e Touriga Nacional

Região Alentejo

Grau alcoólico 15%

Preço (euros) 39,50 (tiopepe.pt)

Pontuação 93

Autor Manuel Carvalho

Notas de prova Os Cartuxa (como os restantes topos de gama da casa, até ao Pêra Manca que tem no mercado um excelente 2019) têm o mérito de nos apresentar um Alentejo diferente, num perfil mais vincado — ou menos redondo. Este Reserva de 2019 leva-nos para um patamar superior desse estilo de fazer vinho. Num ano excelente para a Cabernet Sauvignon, este reserva exibe no nariz o traço característico dos aromas da casta. Na boca, uma bem integrada nota vegetal também da Cabernet conjuga-se com o volume, a fruta e a intensidade da Alicante Bouschet e da Aragonez para dar origem a um vinho cheio de alma e carácter. Aviso: é um tinto musculado, haverá quem o ache “forte”, mas é precisamente esta sua raça que o torna um vinho muito atraente.

A Empresa do Ano também tem os pés assentes na região alentejana: é o grupo Abegoria, que estende a sua presença a vários pontos do país, destacando-se pelas suas produções e uma que, como diz a revista, é um “blockbuster”, o Porta 6″ (da VidigalWines, parte do grupo), que é aliás “um sucesso de vendas no Reino Unido” (“absorve quatro das oito milhões de garrafas anualmente”). Da Região de Lisboa, este vinho, na sua safra de 2023, conquistou a chancela Compra do Ano. A Marca do Ano, por sua vez, é do Douro, a Duas Quintas, criação da Ramos Pinto.

A nível da enologia, entre os premiados, contam-se a Wine & Soul, de Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges no Douro (Vale de Mendiz), dupla que se torna o Enólogo do Ano; enquanto Ricardo Gomes foi distinguido como Enólogo Revelação pelo seu trabalho nos projectos de parceria do grupo Vila Galé e da empresa Madre na Quinta do Val Moreira (Douro) e Paço do Curutelo (Vinhos Verdes).

Nas vendas, o destaque vai para a mercearia “emblemática” Pára!Bento, em Vila do Conde, reconhecida como Loja/Garrafeira do Ano, enquanto a Cave Lusa é o Distribuidor do Ano.




O chef Vítor Matos
Manuel Roberto

Nas categorias mais gastronómicas, Vítor Matos, o chef português com a maior colecção de estrelas Michelin, é a Personalidade do Ano na Gastronomia; Rui Silvestre (Fifty Seconds, o restaurante da torre Vasco da Gama em Lisboa), é Chefe de Cozinha do Ano; enquanto Rita Magro (que trocou o Blind e a estrela Michelin pelo Atrevo, no Porto) é a Chefe Revelação; o restaurante Bioma, no Pico, é o Restaurante do Ano; e Helena Castro e a sua Casa de Pão-de-Ló de Alfeizerão foram distinguidos como Produtor Artesanal do Ano. Para comer bem, o Destino Gastronómico do Ano aponta o caminho: siga para Braga.

Em termos de Serviço de Vinhos, a distinção foi para a Nunes Real Marisqueira, em Lisboa; enquanto o algarvio Vila Vita Parc tem o Sommellier do Ano, Augusto Brumatti.

Já o prémio de Enoturismo foi para o roteiro Beira Interior Wine Villages.

No capítulo das homenagens e distinções, a Personalidade do Ano no Vinho é Francisco Toscano Rico, agora presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, antes a dirigir a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa. Por outro lado, Lídia Monteiro, vogal do conselho directivo do Instituto do Turismo de Portugal, foi homenageada pelo “trabalho desenvolvido em prol da dinamização do Enoturismo”.




Francisco Toscano Rico, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho

Miguel Madeira

O jornalista Jorge Lucki, jornalista e cronista da publicação brasileira “Valor Econômico”, “a quem Portugal muito deve na divulgação dos nossos vinhos além-Atlântico”, é a Personalidade do Ano no Brasil.

Entre os vários premiados, destaque ainda para um trabalho de fundo em viticultura regenerativa, o de Renato Neves, Viticólogo/Investigador do Ano, responsável de viticultura da alentejana Herdade das Servas e da Casa da Tapada nos Vinhos Verdes.