Não há desnível entre a casa de Alexandra Cardoso, 51 anos, e o Rio Tejo. Alexandra, que vive na aldeia de Ponte do Reguengo, no município do Cartaxo, distrito de Santarém, há vinte e cinco anos, conversa com a água pelos joelhos, enquanto caminha por aquilo que há menos de uma semana foi a sua sala de estar. A mobília está nesta sexta-feira do lado de fora da casa, no que era antes considerado o quintal.
A família perdeu, nesta inundação, também as camas, os móveis da sala e os da cozinha. Mas não perdeu o sorriso, este que Alexandra faz questão de esboçar em frente à casa. A trabalhadora rural fala com tanta naturalidade sobre a situação, que faz quase acreditar que aquele é mais um dia normal na aldeia de Ponte do Reguengo, e que tudo sempre foi assim. Mas ela admite que, apesar de já ter visto a água cobrir os seus pés dentro de casa noutras situações, “não esperava” que desta vez lhe chegasse aos joelhos.