O fotógrafo Eduardo Augusto Magalhães Tropia morreu na manhã deste domingo (8/2). A causa da morte ainda não foi divulgada. Reconhecido pelo trabalho de registro da cidade histórica de Ouro Preto, Tropia construiu na cidade grande parte de seu legado artístico e profissional — e será também onde ocorrerá sua despedida. 

O velório será realizado neste domingo na Capela Velório, das 11h às 16h e na segunda-feira (9/2), das 8h às 10 e o sepultamento no Cemitério da Igreja São José, ambos em Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais. 

O fotógrafo que eternizou Ouro Preto: quem era Eduardo Tropia 

Nascido em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 1º de novembro de 1956, Eduardo Augusto Magalhães Tropia mudou-se ainda criança para Ouro Preto. Foi na cidade histórica que começou a construir sua relação com a fotografia, aprendida ao lado do pai, o também fotógrafo Milton Tropia. 

Entre a sala de revelação, o cinema da família e os espaços culturais de Ouro Preto, Eduardo cresceu imerso na arte e na imagem — ambiente que moldou seu olhar sensível e a conexão profunda com a cidade que viria a registrar por toda a vida. 

Sua trajetória profissional teve início na década de 1980. Ao longo de mais de cinco décadas, dedicou-se a documentar Ouro Preto por meio da luz, da memória e do compromisso com o patrimônio cultural. Atuou no fotojornalismo, na publicidade e na fotografia autoral, sendo repórter fotográfico da revista IstoÉ e do jornal O TEMPO. Seus trabalhos também ganharam espaço em veículos internacionais, como National Geographic e Los Angeles Times Magazine. 

Além da fotografia, Eduardo teve atuação marcante na vida cultural da cidade. Trabalhou no Cine Vila Rica, criado por sua família, idealizou a Janela Elétrica no Carnaval de Ouro Preto e criou a Casa Alphonsus — espaço onde expunha seus trabalhos fotográficos e recebia obras de artistas convidados, tornando-se um ponto de encontro da cena cultural local. 

Sua obra alcançou reconhecimento internacional, com destaque para a série “Barroco x Chinesice”, selecionada para uma bienal de fotografia na China. No Brasil, deixou exposições marcantes como “Memória dos Festivais de Inverno”, “Ouro Preto Jazz – Tudo é Jazz” e “Ruas de Minha Vida”, esta última apresentada também em Portugal. 

Integrante do Coletivo Olho de Vidro por 19 anos, Eduardo mantinha uma galeria permanente na Casa Alphonsus, localizada na Rua São José, nº 156 — residência onde viveu o poeta Alphonsus de Guimarães. Foi desse espaço simbólico que observou, registrou e eternizou Ouro Preto por décadas. 

A Prefeitura de Ouro Preto publicou uma nota de pesar lamentando a morte do fotógrafo. “Neste momento de dor, a Prefeitura de Ouro Preto se solidariza com familiares, amigos, colegas de profissão e com toda a comunidade cultural ouro-pretana, reconhecendo a importância de Eduardo Tropia para a história, a identidade e a memória da cidade”, disse.