Friends produziu uma série de one-liners memoráveis, desde o “WE WERE ON A BREAK!” de Ross, ao “Joey doesn’t share food!” e às interpelações a Deus de Janice, que apesar de não fazer parte dos seis, é uma personagem recorrente e das mais cómicas da série. A sitcom da NBC, que esteve no ar entre 1994 e 2004, e a partir de 1998 na RTP1, é a prova de que os arquétipos funcionam em televisão: o inteligente, o engraçado, o engatatão, a excêntrica, a princesinha e a perfecionista têm uma química inigualável, que muito deve à mestria dos atores individuais.

“I’ll be there for you” (estarei cá para ti) é o mote da série que, vê-se logo no título, fala sobre amizade e faz qualquer um sonhar com uma vida romântica na Nova Iorque dos anos 90. As dez temporadas de Friends estão disponíveis para streaming na HBO Max e compra na Prime Video, com exibições de segunda a sexta na STAR Comedy. E quem já viu e reviu os 236 episódios e quer matar saudades do elenco maravilha, tem bom remédio: em Friends: The Reunion, de 2021 (HBO Max), os amigos de sempre regressam ao cenário onde tudo começou, desta vez para revelar os segredos de bastidores.

Netflix

Jerry Seinfeld é o nome da personagem, mas também do comediante que o interpreta, numa série batizada com o apelido dos dois. É difícil perceber onde começa um e acaba o outro, porque se cada episódio conta com momentos do comediante em palco, logo mostra o quotidiano do habitante de classe-média nova-iorquino e do seu grupo de amigos eclético. George, o neurótico, Elaine, a inteligente ex-namorada tornada amiga platónica, e Kramer, o vizinho excêntrico, são a fonte de inspiração para o stand-up de Seinfeld, que reflete sobre as banalidades da vida.

A série criada pelo próprio com Larry David é conhecida por “falar sobre nada”, mas isso não impediu que alcançasse um sucesso astronómico entre 1989 e 1998, anos em que as nove temporadas foram transmitidas na NBC. O último episódio, teve direito a emissão na Times Square, em Nova Iorque, e foi assistido por 76 milhões de espectadores à volta do mundo. O fenómeno só chegou a Portugal no último ano da série, sem o mesmo efeito agregador por passar nas madrugadas da TVI.

Uma série amoral, dispensa os sentimentalismos de outras sitcoms que lhe foram contemporâneas, como Friends ou Cheers, e concretiza o mantra do criador, Larry David: “No hugging, no learning”. De facto, é melhor não antecipar emoções intensas nem o desenvolvimento das personagens de Seinfeld, porque, no fim do dia, continuam iguais ao início, egoístas, cínicas e fundamentalmente humanas. Numa era de heróis e guardiões morais na televisão, Seinfeld resiste pela apologia da normalidade. A série está disponível na íntegra na Netflix.

Disney+

Outra criação de Matt Groening (e do guionista David X. Cohen), Futurama leva os cartoons dos Simpsons para uma Nova Iorque do século XXXI, onde os cenários da ficção científica se tornam realidade. Depois de cair acidentalmente numa câmara criogénica, um dispositivo que congela organismos, suspendendo a vida durante períodos de tempo determinados, o protagonista da série, Philip Fry, acorda numa cidade irreconhecível, com carros voadores e naves espaciais, robôs humanoides, minorias alienígenas, crime, vício e corrupção.