Estudo indica que um movimento quase invisível empurra Espanha e Portugal em direção à África Foto: Divulgação/Nasa/ND Mais
Espanha e Portugal estão, literalmente, em movimento, só que num ritmo que ninguém percebe a olho nu. Pesquisas que usam medições por satélite mostram que a Península Ibérica se desloca em direção ao norte da África em milímetros por ano, resultado do “empurrão” contínuo entre grandes placas tectônicas.
Esse movimento quase invisível empurra Espanha e Portugal rumo à África sem mudar o mapa na escala de uma vida humana, mas ajuda cientistas a refinar onde a crosta acumula tensão e quais regiões merecem atenção quando o assunto é risco sísmico.
O que está por trás do movimento quase invisível na Península Ibérica?
O motor é a convergência entre as placas Africana e Eurasiática. Em vez de um limite “limpo” e óbvio, como em algumas bordas de placa famosas, a região funciona como uma fronteira difusa, em que a deformação se espalha por várias falhas e zonas de tensão.
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Na prática, isso faz com que o deslocamento pareça “inexistente” na superfície, mas ele aparece quando instrumentos de alta precisão comparam posições ao longo dos anos.
Quanto a Espanha e Portugal se movem por ano?
O estudo realizado pela Universidade do País Basco, na Espanha, e publicado pela revista Gondwana Research, aponta uma aproximação na casa de poucos milímetros ao ano. É pouca coisa para qualquer pessoa perceber, mas é o suficiente para que, ao longo de milhares e milhões de anos, o relevo e a configuração das bordas continentais mudem.
O ponto importante aqui é o uso do dado hoje, esse tipo de medição ajuda a mapear onde a energia pode estar sendo acumulada e isso conversa diretamente com monitoramento sísmico e planejamento.
Como satélites conseguem medir um movimento tão pequeno?
Esse tipo de análise costuma combinar redes de geolocalização por satélite (como GNSS) com dados sismológicos. Em vez de “adivinhar”, os pesquisadores observam a crosta se mexendo com precisão milimétrica ao longo do tempo.
Isso muda algo agora, ou é só um assunto de milhões de anos?
O Mediterrâneo não vai “fechar” amanhã, e as praias de Espanha e Portugal não vão mudar de lugar de um ano para o outro. O que muda no presente é a qualidade do diagnóstico, entender onde a deformação acontece com mais força pode orientar monitoramento, modelos de risco e prioridades para infraestrutura.