A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA, na sigla inglesa) emitiu um aviso relativo a viagens para Cabo Verde devido aos casos de infeções no estômago provocadas por shigelose e salmonela e na sequência da morte de quatro turistas britânicos que visitaram a ilha do Sal nos últimos meses.
As autoridades do Reino Unido têm acompanhado o crescimento no número de casos de infeções no país insular. No comunicado do aviso, a UKHSA disse ter identificado, desde o dia 1 de outubro do ano passado, 112 casos de shigelose, uma doença também conhecida por disenteria bacteriana que causa diarreia sanguinosa.
A bactéria que a causa, Shigella, espalha-se através das fezes diretamente ou através comida ou bebida contaminada, explicou a BBC. Por esse motivo, a UKHSA transmitiu no aviso uma série de “passos chave” para poder evitar a transmisão.
Gauri Godbole, diretora adjunta para as infeções gastrointestinais da agência, avisou que “a melhor forma de evitar infeções gastrointestinais” ou “passá-las a outros” é “simplesmente lavando as mãos regularmente e cuidadosamente com água e sabão ou álcool-gel, especialmente após usar a casa de banho, trocar fraldas e antes de comer ou preparar alimentos”.
Nestes conselhos das autoridades britânicas para a comida em viagem, os viajantes são aconselhados a “comer comida preparada de fresco, cozinhada totalmente e servida a escaldar“. Também só se deve comer fruta descascada pelos próprios viajantes e evitar saladas que não tenham sido “lavadas em água limpa“.
Sobre o consumo de bebidas, é recomendado que a água bebida seja engarrafada ou fervida, evitando que se ponha gelo nas bebidas. O mesmo aviso serve para a água que se usa quando se está a lavar os dentes. O site Travel Health Pro, recomendado pela agência do governo britânico, pede ainda para que se evite “engolir água de lagoas, lagos e piscinas não tratadas“.
“Fevereiro é uma época popular para férias de sol no inverno e queremos ajudar as famílias a aproveitar ao máximo as suas férias, mantendo-se saudáveis”, acrescentou a responsável da UKHSA. Caso se desenvolva diarreia, acompanhada de febre ou sangue nas fezes, a agência pediu para que os viajantes “se hidratem bem e procurem ajuda médica imediatamente“.
As quatro mortes de turistas britânicos fizeram ligar novamente os alarmes em Londres, que já tinham emitido um alerta semelhante em março de 2023 devido a um aumento dos casos na altura ligados à Ilha do Sal, do arquipélago caboverdiano.
As famílias das quatro vítimas — Elena Walsh, de 64 anos; Mark Ashley, de 55 anos; Karen Pooley, de 64 anos; e um homem de 56 anos, não identificado — anunciaram que iriam processar a companhia de viagens TUI, que organizou a visita a Cabo Verde.
A ideia de que há um surto no país, porém, é negado pelas autoridades caboverdianas, que falam em “perceções alarmistas injustificadas” sobre a situação sanitária no país. “Não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo de shigelose em Cabo Verde e os dados disponíveis não sustentam a interpretação apresentada na notícia”, sublinhou o ministro da Saúde do país, Jorge Figueiredo, em conferência de imprensa citada pela Agência Lusa.
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