Projeto científico de Salomé Pinho e Catarina Azevedo recebeu financiamento para investigar novo tratamento de tumores sólidos.

Catarina Azevedo (na fotografia) é investigadora do grupo «Immunology, Cancer & GlycoMedicine» do i3S. Foto: DR



Um projeto científico das investigadoras Salomé Pinho e Catarina Azevedo, do grupo «Immunology, Cancer & GlycoMedicine» do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foi distinguido com um prémio de investigação em saúde no valor de cinco mil euros, no âmbito da segunda edição do Prémio a Projetos de Investigação de Talentos Emergentes, promovido pelo projeto TRANSFIRESAÚDE.

A investigação premiada propõe uma abordagem inovadora na área da imunoterapia celular para o tratamento de tumores sólidos, através do desenvolvimento de uma nova geração de células Glyco-CAR-T. Estas terapias têm vindo a revolucionar o tratamento de vários cancros do sangue, mas a sua aplicação em tumores sólidos continua a enfrentar limitações significativas.

Um dos principais obstáculos à eficácia das terapias CAR-T em tumores sólidos é o microambiente tumoral, altamente imunossupressor, que promove a exaustão e disfunção das células T, glóbulos brancos essenciais no combate ao tumor.

Para responder a este desafio, o projeto propõe a reprogramação genética da glicosilação (camada de açúcares complexos) das células CAR-T, através da edição do gene MGAT5, envolvido nos processos de glicosilação celular. Ao modificar a composição de açúcares à superfície destas células de defesa, a equipa pretende torná-las mais resistentes e competentes na luta contra o tumor, potenciando assim a eficácia antitumoral.

Segundo as investigadoras, “o reconhecimento deste projeto, numa fase ainda de desenvolvimento tecnológico, reforça a confiança no potencial científico e na aplicação clínica do trabalho”.

Para Catarina Azevedo, este prémio representa não só um reconhecimento da excelência científica do trabalho desenvolvido no grupo coordenado por Salomé Pinho, mas também um incentivo importante para investigação translacional com impacto real na prática clínica.

O prémio insere-se no projeto TRANSFIRESAÚDE, que tem como objetivo promover a transferência de conhecimento da investigação biomédica para o mercado e reforçar a integração do ecossistema de investigação e inovação em saúde na região euro-regional, com especial enfoque nos desafios do envelhecimento ativo e saudável e da medicina personalizada.

Em Portugal, o projeto é liderado por Hugo Prazeres, coordenador da Unidade de Inovação em Investigação do i3S.