luislouro / depositphotos

O “comissário da turma” que mantém a sala em ordem, seja ou não em sistema rotativo. E um aviso curioso junto ao quadro tradicional.

Outos países, outras culturas, outra educação.

O contexto pouco tinha a ver com educação: num artigo sobre o receio de Narva ser o próximo alvo de Vladimir Putin, referimos que, nas escolas daquela cidade da Estónia, está a ensinar-se apenas a língua local – numa cidade onde quase toda a gente fala russo.

Pelo meio, analisámos uma imagem em particular, captada pela agência AFP. A fotografia, tirada no dia 16 de Janeiro, mostra precisamente uma professora a ensinar a língua oficial da Estónia a crianças ou adolescentes que, muito provavelmente, cresceram a falar russo.

No entanto, agora, e por causa da guerra na Ucrânia e do corte de relações com Moscovo, uma das medidas tomadas foi proibir o ensino do russo nas escolas de Narva.

“Limpa”

Geopolíticas e tensões internacionais à parte, reparámos que, na tal imagem, havia um aviso peculiar no canto superior esquerdo do quadro tradicional, onde se escreve a giz.

O aviso, curiosamente escrito em inglês, indica: “A tua mãe não trabalha aqui. Limpa o que tu próprio sujaste”.

Não surpreende. Na Estónia, há escolas com a figura do “comissário da turma”. Esse aluno, como se vê no regulamento interno da Escola Anna Haava Pala, é uma espécie de delegado de turma em Portugal, “responsável pela ordem na turma”.

Mas a ordem não é mandar calar. Esse comissário da turma “ventila a sala durante os intervalos e limpa o quadro”. Após o fim das aulas, “limpa a sala e entrega a chave” ao assistente operacional.

Ali bem perto, na Letónia, os “monitores” da sala de aula têm tarefas semelhantes. Entre outras: limpar o quadro, apagar luzes, apanhar papéis/lixo, organizar mesas e cadeiras, varrer a sala e levar o lixo, como acontece na escola secundária Rojas vidusskola; nalgumas escolas esse responsável também tem a função de desinfectar superfícies.

Para fechar esta trilogia dos países bálticos, na Lituânia, há também regulamentos internos escolares com “budėtojas”, ou aluno de serviço: são os responsáveis pela ordem, limpeza e disciplina. Também limpam o quadro e garantem que não falta giz, num sistema rotativo habitualmente.

Na maioria das escolas, a limpeza “a sério” é feita por adultos: lavagem de pavimentos, casas de banho, limpeza profunda. Os alunos limitam-se (e já não é pouco) a assegurar a arrumação e a higiene básica da sala de aula.


Nuno Teixeira da Silva, ZAP //


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