Mais 2.600 prédios de habitação da capital ucraniana ficaram esta quarta-feira privados de sistemas de aquecimento. Foi este o resultado de uma nova vaga de bombardeamentos noturnos da Rússia sobre infraestruturas energéticas.

A máquina de guerra russa terá lançado um total de 24 mísseis e 219 drones sobre território ucraniano durante a última noite.A Força Aérea ucraniana indicou que, dos 24 projéteis de longo alcance, 15 foram derrubados pelas defesas antiaéreas. Os restantes nove mísseis balísticos e 19 drones fizeram estragos em 13 alvos nas regiões de Kiev, Kharkiv, Dnipro e Odessa.

“Após os ataques em massa da noite passada, quase 2.600 novos edifícios ficaram sem aquecimento”, adiantou o presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko.

Mais de um milhar de prédios encontravam-se já sem aquecimento devido aos ataques russos.

Relatos recolhidos pela Amnistia Internacional descrevem blocos de apartamentos gelados, com tubagens congeladas ou rebentadas, elevadores parados, telemóveis descarregados e redes telefónicas cortadas.

A organização de defesa dos Direitos Humanos refere ainda um grande número de ucranianos a dormir com o máximo de roupa possível, a fazer uso de fogões a querosene e de outras soluções de risco. Há mesmo quem esteja a erguer tendas em quartos e a acender velas perante o frio.

Eleições na Ucrânia? “Basta um cessar-fogo”



O presidente ucraniano condicionou, na quarta-feira, a realização de eleições no país invadido pelos russos – e debaixo da lei marcial – à implementação de um cessar-fogo com garantias de segurança.

“É muito fácil: basta estabelecer um cessar-fogo e haverá eleições”, afirmou Volodymyr Zelensky em conferência de imprensa online, referindo-se a notícias de uma potencial eleição presidencial e um referendo a breve trecho.

Segundo Zelensky, só poderá haver eleições “quando todas as garantias de segurança necessárias estiverem em vigor”.

A partir de fontes ucranianas e europeis, o jornal britânico Financial Times noticiou o planeamento de eleições presidenciais e um referendo até 15 de maio, na esteira de um possível anúncio, por parte da Presidência em Kiev, de um acordo de paz com Moscovo a 24 de fevereiro, no quarto aniversário da invasão.

“Provavelmente, ouvi falar disto pela primeira vez através do Financial Times. Agora é a segunda vez que ouço, através de vós”, reagiu Zelensky.

O presidente ucraniano negou que a Administração Trump tivesse ameaçado não assinar um documento com garantias de segurança sem eleições: “Não, não estão a ameaçar abandonar as garantias de segurança. Além disso, não estão a condicionar as eleições às garantias de segurança”.

c/ agências