Durante muito tempo, o consumo de peixe no Brasil ficou preso a dois extremos: de um lado, o salmão, símbolo contemporâneo de saúde e sofisticação; do outro, o bacalhau, peixe de ocasião, quase sempre reservado a datas especiais. No meio desse caminho, ignorada ou subestimada, está a sardinha, um peixe barato, abundante, cheio de memória afetiva e que, em 2026, faz cada vez mais sentido colocar no centro do prato.

A sardinha reúne o que poucos alimentos conseguem hoje: preço acessível, alto valor nutricional, versatilidade na cozinha e uma identidade gastronômica forte. Enquanto salmão e bacalhau seguem restritos a bolsos mais folgados ou ocasiões específicas, ela se afirma como peixe de cotidiano, mas sem abrir mão de sabor, textura e potência culinária.

Preço

Sardinha Foto: M.studio/ Adobe Stock

Nos supermercados, a diferença de valores ajuda a explicar por que a sardinha vem ganhando novo fôlego. Em redes como Carrefour, Extra e Atacadão, o quilo da sardinha fresca costuma variar entre R$ 13 e R$ 25, dependendo da época e da região. Já o salmão raramente aparece por menos de R$ 100, podendo chegar a R$ 130/kg. O bacalhau, mesmo nas versões menos nobres, circula entre R$ 100 e R$ 140/kg.

A conta é simples: com o valor de um quilo de salmão, é possível levar para casa quatro, cinco ou até oito quilos de sardinha. Em um cenário de alimentos cada vez mais caros, essa diferença deixa de ser detalhe e passa a ser critério.

Benefícios

Sardinha Foto: shaiith/ Adobe Stock

No meio das comparações, muita gente esquece que a sardinha praticamente não deixa nada a desejar do ponto de vista nutricional. Fonte relevante de ômega-3, ela auxilia na saúde do coração, no bom funcionamento do cérebro e no controle de processos inflamatórios. Também oferece proteína de qualidade, com um perfil nutricional consistente para quem busca refeições mais completas e que garantem maior saciedade.

Quando consumida com a espinha — algo comum nas versões em conserva —, torna-se ainda mais interessante por seu teor elevado de cálcio. Além disso, fornece vitamina D, vitaminas do complexo B, ferro e selênio. Outro ponto pouco lembrado é que, por ser um peixe pequeno e de ciclo de vida curto, tende a acumular menos metais pesados, como mercúrio, em comparação a espécies maiores e mais longevas.

Qual a melhor sardinha?

((Não usar depois da publicação, em caso de dúvidas, falar com Foto)) canned sardines in olive oil Foto: DalaiFood/Adobe Stock

Para descobrir qual é a melhor sardinha disponível no mercado, o Paladar realizou um teste às cegas com diferentes marcas encontradas em supermercados. As amostras foram avaliadas por um grupo de degustadores, que analisaram critérios como sabor, textura, equilíbrio de sal e qualidade geral do produto. Todas foram servidas sem identificação, garantindo uma comparação justa entre elas.

O teste revelou diferenças perceptíveis entre as marcas, mostrando como pequenos detalhes podem influenciar na experiência final. A avaliação buscou destacar quais produtos se sobressaem e quais entregam apenas o básico, ajudando o leitor a fazer uma escolha mais informada na hora da compra.

Receitas

TQ SÃO PAULO 22.10.2025 PALADAR CADERNO2 Pratos com sardinha preparados no Rancho Portguês da avenida dos Bandeirantes. Arroz de sardinha (parto com molho de tomate), sardinha a portuguesa (com sardinhas inteiras) e escabeche de sardinha. Foto Tiago Queiroz/Estadão  Foto: tiago queiroz

Escabeche sardinha