O Standard Chartered reduziu sua projeção para o preço do bitcoin (BTC) pela segunda vez em menos de três meses, alertando que a criptomoeda pode cair até US$ 50 mil antes de se recuperar.

O banco agora espera que o bitcoin encerre 2026 em US$ 100 mil, abaixo da estimativa anterior de US$ 150 mil, segundo nota divulgada na quinta-feira (12). Em dezembro, a instituição já havia cortado essa meta de US$ 300 mil.

A revisão mais recente ocorre após um período turbulento para os ativos digitais, com o bitcoin enfrentando dificuldades desde o colapso do mercado em outubro, seguido por episódios contínuos de volatilidade e mudanças no apetite por risco. O bitcoin era negociado praticamente estável na manhã desta quinta-feira em Nova York, em torno de US$ 67.939.

“Esperamos uma nova capitulação de preços nos próximos meses”, escreveu Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa em ativos digitais do banco, na nota.

Kendrick apontou para saídas de recursos de fundos negociados em bolsa (ETFs) e para um cenário macroeconômico mais fraco. As posições em ETFs de bitcoin caíram em quase 100 mil tokens desde o pico de 10 de outubro. O comprador médio agora está no prejuízo, com preço médio de entrada em cerca de US$ 90 mil, segundo a nota.

O banco também alertou que “o cenário de risco macroeconômico também está se tornando mais desafiador – a economia dos EUA pode estar desacelerando, mas os mercados não esperam novos cortes de juros” até que Kevin Warsh assuma a presidência do Fed ainda este ano. Isso pode limitar novas entradas de recursos em criptoativos nos próximos meses, segundo o documento.

Desde a liquidação de 10 de outubro, investidores retiraram quase US$ 8 bilhões de ETFs de bitcoin à vista listados nos EUA, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Para o ether (ETH), o banco reduziu sua meta para o fim de 2026 de US$ 7.500 para US$ 4.000. O segundo maior token era negociado abaixo de US$ 2.000 nesta quinta-feira.

Kendrick espera que ele caia para cerca de US$ 1.400 antes de se recuperar mais adiante no ano.

O bitcoin recuou mais de 40% em relação ao pico de outubro, próximo de US$ 127 mil. O mercado cripto mais amplo perdeu quase US$ 2 trilhões em valor no mesmo período, segundo a CoinGecko. Antes promovido como “ouro digital” e uma aposta de maior beta em relação às ações, o bitcoin agora está ficando atrás do Nasdaq e do S&P 500.

Kendrick afirmou que a queda foi acentuada, mas mais organizada do que em crashes anteriores. “Esta liquidação foi menos extrema do que as anteriores e não resultou no colapso de nenhuma plataforma de ativos digitais”, escreveu, acrescentando que o mercado parece estar amadurecendo.