As mudanças hormonais da menopausa costumam trazer impactos que vão além dos sintomas clássicos, como ondas de calor e alterações de humor. Nesta fase, o metabolismo tende a desacelerar, a gordura corporal passa a se concentrar mais na região abdominal e aumentam os riscos cardiometabólicos. Porém, pesquisas apontam que uso de medicamentos e terapia hormonal ajudam a regular essas mudanças.
Um estudo publicado recentemente, em janeiro de 2026 na revista The Lancet Obstetrics, Gynecology, and Women’s Health, aponta que a combinação entre tirzepatida e terapia hormonal pode trazer benefícios mais amplos para a saúde de mulheres na pós-menopausa.
A pesquisa avaliou 120 mulheres com sobrepeso ou obesidade que utilizaram tirzepatida por pelo menos 12 meses. Entre elas, 40 também faziam terapia hormonal sistêmica. Para garantir uma comparação equilibrada, as participantes foram pareadas de acordo com idade, índice de massa corporal (IMC), tipo e idade da menopausa, histórico de uso de medicamentos para obesidade e presença de diabetes.
Embora a perda de peso tenha sido um dos desfechos analisados e tenha se mostrado mais expressiva no grupo que utilizou a combinação terapêutica, os resultados chamaram atenção principalmente pelas melhorias nos marcadores de saúde metabólica. As mulheres que associaram tirzepatida e terapia hormonal apresentaram reduções mais significativas na pressão arterial diastólica, nos níveis de triglicerídeos e em indicadores de função hepática, além de melhora no controle da glicose.
Esses parâmetros são considerados fundamentais para a prevenção de doenças cardiovasculares. De acordo com análises da Harvard Health Publishing, avanços na saúde cardiometabólica estão ligados à redução do risco de infarto e acidente vascular cerebral, que figuram entre as principais causas de morte. O excesso de peso e as alterações na glicemia são apontados como fatores centrais para o desequilíbrio metabólico, especialmente após a menopausa.
A tirzepatida é atualmente um dos medicamentos aprovados para tratamento da obesidade, mas seus efeitos específicos em mulheres na pós-menopausa ainda vinham sendo pouco explorados. Já a terapia hormonal é utilizada para aliviar sintomas e minimizar impactos da queda de estrogênio, podendo também influenciar a distribuição de gordura corporal e o metabolismo.
Os pesquisadores destacam que o estudo é observacional, baseado em registros eletrônicos de saúde da Mayo Clinic, e não um ensaio clínico randomizado. Portanto, os dados indicam associação, mas não comprovam que a terapia hormonal potencializa diretamente os efeitos da tirzepatida. Novos estudos serão necessários para esclarecer os mecanismos envolvidos.
Ainda assim, os achados reforçam uma discussão importante: na menopausa, cuidar da saúde vai além do controle do peso. Estratégias que considerem o equilíbrio hormonal, o metabolismo e os fatores de risco cardiovascular podem oferecer benefícios mais amplos e contribuir para um envelhecimento mais saudável, sempre com avaliação e acompanhamento médico individualizado.