Apesar de ter registado um ligeiro abrandamento no final do ano, o valor médio dos salários brutos recebidos pelos portugueses em 2025 registou um aumento em termos reais de 3,2%, naquele que foi o terceiro ano consecutivo de ganhos de poder de compra a seguir à crise inflacionista de 2022.

De acordo com os dados publicados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base na informação disponível nas declarações à Segurança Social, a remuneração bruta mensal média registada em Portugal foi de 1694 euros. Este valor representa um crescimento de 90 euros, ou 5,6%, face aos 1604 euros que se verificaram em 2024.

Em termos reais, isto é, descontando o efeito da inflação, o ganho salarial médio dos portugueses em 2025 face ao ano anterior cifrou-se em 3,2%.

Prolonga-se assim por mais um ano a tendência de ganho de poder de compra que se verifica desde 2022. Nesse ano, devido a uma enorme escalada da inflação que não teve resposta imediata em termos salariais, a queda do salário médio em termos reais foi de 4%.

A recuperação do poder de compra começou a ser feita logo no ano seguinte, com um aumento da média das remunerações brutas em termos reais de 2,5%, a que se seguiu uma aceleração em 2024, ano em que este indicador registou uma variação de 3,9%.

Em 2025, o crescimento anual médio das remunerações de 3,2% em termos reais representou um abrandamento face a 2024 e, para além disso, essa tendência de abrandamento foi também, embora de forma ligeira, evidente ao longo do ano.

Enquanto em Março e Junho a variação trimestral do salário médio foi 3,5% e 3,9%, respectivamente, nos trimestres acabados em Setembro e Dezembro esse indicador foi de 2,7% e 2,8%, respectivamente.

Esta tendência de abrandamento nos salários reais deverá, numa altura em que a taxa de inflação deve estabilizar em torno dos 2%, prolongar-se ao longo de 2026 e nos anos seguintes, de acordo com as projecções feitas por entidades como a Comissão Europeia ou o Banco de Portugal.

Pressões salariais na agricultura

Os dados do INE também mostram de forma clara que foi nos sectores em que as empresas mais se queixam de falta de mão-de-obra que se verificaram os maiores acréscimos salariais ao longo de 2025.

A liderar os aumentos no valor do salário bruto médio está de forma clara o sector da Agricultura, Produção Animal, Caça, Floresta e Pesca, com uma variação em termos reais de 8,7% em 2025.

A seguir, com aumentos reais em torno de 4%, estão sectores como a Administração Pública, a Saúde, as Indústrias Extractivas, o Alojamento e Restauração e a Construção.

São estes sectores que, numa tentativa de atrair e reter a mão-de-obra de que precisam, melhoraram ao longo de 2025 as condições salariais oferecidas. Para além disso, por terem ainda dos níveis salariais mais baixos em comparação com outros sectores, com uma percentagem relativamente elevada de trabalhadores a receberem o salário mínimo, é nestes sectores que mais se faz sentir o impacto do reforço da remuneração mínima nacional, que em 2025 passou de 820 para 870 euros, uma variação de 6,1%.

Com o cenário oposto, isto é, com aumentos salariais médios que não chegaram sequer para compensar o efeito da inflação, estiveram em 2025 os sectores da Electricidade, Gás e Água e o das Actividades dos Organismos Internacionais, com reduções médias de 0,8% e 0,7%, respectivamente, nas remunerações brutas reais.

Nas actividades financeiras, nos transportes e nas actividades artísticas e desportivas, o ganho de poder de compra não superou os 2%.