
Estudo indica que a maioria das pessoas se apaixona “a sério” pelo menos duas vezes na vida.
Até o símbolo do verdadeiro amor, a origem do queijo com marmelada, Romeu e Julieta, tem um trio amoroso. Foi Rosalina, a prima de Julieta, o o interesse romântico original de Romeu. Pois a ideia geral de que existe “a/o tal” é uma fantasia. Ou, pelo menos, é essa a conclusão de investigadores do Instituto Kinsey.
Num novo estudo, os investigadores sugerem que, para a maioria das pessoas, o amor apaixonado surge poucas vezes ao longo da vida, mas mais do que uma vez — em média, cerca de duas vezes.
A investigação baseia-se nas respostas de mais de 10 mil adultos solteiros nos Estados Unidos, que foram questionados de forma direta: “Ao longo da sua vida, quantas vezes esteve apaixonadamente apaixonado(a)?”.
A média de experiências relatadas foi de 2,05. O valor mais frequente (moda estatística) foi também dois: quase um em cada três participantes afirmou ter vivido este tipo de paixão ardente duas vezes.
Os relatos de ter vivido um grande amor apenas uma vez surgem como o segundo cenário mais comum, indicado por cerca de dois em cada sete inquiridos.
Poucos foram os que nunca sentiram amor apaixonado por alguém (ou que pelo menos o admitiram) e os que sentiram amor duas vezes foram o dobro dos que sentiram três. Uma minoria — cerca de um em cada nove participantes — relatou quatro experiências.
A autora principal, Amanda Gesselman, citada em comunicado, explica ainda que os números variaram pouco entre diferentes características dos participantes. Pessoas heterossexuais relataram, em média, um número semelhante de experiências de amor apaixonado quando comparadas com pessoas homossexuais, lésbicas e bissexuais. E participantes mais velhos reportaram apenas um ligeiro aumento face aos mais jovens.
No entanto, homens jovens heterossexuais relataram mais episódios de amor apaixonado do que mulheres jovens heterossexuais. Ainda assim, a própria equipa descreve o efeito como “muito pequeno”.
Esta discrepância poderá refletir diferenças de socialização — isto é, distintas formas como rapazes e raparigas aprendem a sentir, procurar ou iniciar ligações românticas — acreditam os autores. Mas esse padrão não se repetiu entre participantes não heterossexuais: entre homens e mulheres homossexuais, lésbicas e bissexuais, não foram notadas diferenças de género.
Os próprios investigadores sublinham, apesar de tudo, que o seu estudo é transversal — capta um momento no tempo — e, por isso, não permite inferir causas nem explicar como ou porquê o amor apaixonado se desenvolve.
A investigação publicada na Interpersona: An International Journal on Personal Relationships baseia-se também em autorrelato, o que pode introduzir imprecisões na memória, na interpretação do conceito de “amor apaixonado” ou na forma como cada pessoa avalia experiências passadas.
Além disso, a amostra inclui apenas pessoas solteiras, o que reduz a representatividade face à população geral. O trabalho também não contemplou algumas identidades e modelos relacionais, como pessoas assexuais, arromânticas ou relações poliamorosas, sublinha-se.