Está concluída a primeira semana de testes no Bahrein. Três dias em que as equipas puderam testar as suas soluções para a época de 2026. Com as unidades motrizes no centro das atenções, pilotos e engenheiros trabalharam para se habituarem às exigências das novas máquinas. E, numa semana em que a Mercedes foi destaque pela questão política do suposto truque da sua unidade motriz, e com problemas de fiabilidade nos primeiros dois dias, o terceiro dia foi muito mais positivo para as Flechas de Prata.

Na folha de tempos, o grande destaque coube a Andrea Kimi Antonelli. Depois de um início de semana marcado por problemas de fiabilidade e muito pouco tempo em pista, o italiano respondeu da melhor forma: colocou o Mercedes no topo com 1:33.669, batendo por margem curta o registo do seu companheiro George Russell, com Lewis Hamilton a fechar o trio da frente.

Se Antonelli foi a manchete em termos de cronómetro, Oscar Piastri foi o protagonista da resistência. O australiano passou o dia inteiro ao volante do McLaren e terminou a tarde com um total de voltas impressionante (161), superando inclusive a marca que Lando Norris tinha estabelecido na véspera. Grande parte da sessão foi dedicada a simulações de corrida, com pneus duros e médios, ritmos vários segundos acima dos tempos de qualificação e foco declarado em degradação, comportamento com depósito cheio e gestão da complexa componente híbrida dos novos monolugares.

Outras equipas aproveitaram a janela vespertina para consolidar programas de fiabilidade. A Williams voltou a somar um volume muito elevado de voltas entre Alex Albon e Carlos Sainz, prosseguindo a estratégia de compensar o atraso deixado pelo shakedown falhado em Barcelona. A Haas manteve o ritmo dos dias anteriores e saiu deste primeiro teste com um dos totais de quilometragem mais fortes do pelotão, preparando já o pacote de atualizações que será estreado no segundo teste. A Audi, por seu lado, voltou a mostrar um projeto bem‑nascido: entre Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto, o novo conjunto germânico completou o programa praticamente sem sobressaltos.

Nos minutos finais, a direção de corrida voltou a usar a sessão para testar procedimentos: ensaios de Virtual Safety Car, bandeiras amarelas e vermelhas marcaram o fecho dos trabalhos, com as equipas a adaptarem os seus planos às janelas definidas. O dia ainda terminou com uma nota de alerta discreta para a Ferrari, quando Hamilton foi obrigado a imobilizar o carro já depois de ultrapassar a marca simbólica das 150 voltas, naquele que foi um dos raros problemas de fiabilidade da equipa ao longo deste teste. Hamilton ficou logo atrás de Piastri na lista de pilotos com mais voltas. O clube dos pilotos com mais de 100 voltas hoje conta com Piastri, Hamilton, Franco Colapinto e Liam Lawson. Valtteri Bottas, com os problemas de fiabilidade da Cadillac esta manhã, ficou-se pelas 37 voltas. Foi o único piloto a ficar abaixo das 50 voltas.

À bandeira de xadrez, o retrato da tarde é claro: a Mercedes sai com um primeiro sinal de performance promissor, mas temperado pelas próprias palavras de Russell, que falou em “reality check” face aos problemas acumulados; a McLaren confirma a fiabilidade do conjunto, mas não mostrou tempos que permitam sorrisos rasgados (por estratégia ou falta de andamento); Williams, Haas, Audi e Racing Bulls acumularam um número saudável de voltas, com destaque para a Williams que, depois do arranque falhado em Barcelona, se apresentou no Bahrein com uma fiabilidade assinalável. A Red Bull mantém o foco no desenvolvimento do novo motor, elogiado um pouco por todo o paddock. Fica a sensação de que a hierarquia definitiva está longe de estar definida, mas o mapa de fiabilidade e de métodos de trabalho começou, nestes dias no Bahrein, a ganhar contornos bem nítidos.

Para a semana teremos mais três dias em que as equipas voltarão a testar novas soluções e onde poderemos ver um pouco mais de performance. Muitas estruturas aproveitarão para preparar as primeiras corridas, pelo que o véu começará, muito lentamente, a ser levantado.

Pos.
Piloto
Equipa
Melhor Tempo
Diferença
Voltas
1 Andrea Kimi Antonelli Mercedes 1’33.669 — 61 2 George Russell Mercedes 1’33.918 0.249 78 3 Lewis Hamilton Ferrari 1’34.209 0.540 150 4 Oscar Piastri McLaren 1’34.549 0.880 161 5 Max Verstappen Red Bull 1’35.341 1.672 61 6 Isack Hadjar Red Bull 1’35.610 1.941 59 7 Esteban Ocon Haas 1’35.753 2.084 75 8 Franco Colapinto Alpine 1’35.806 2.137 144 9 Oliver Bearman Haas 1’35.972 2.303 70 10 Nico Hülkenberg Audi 1’36.291 2.622 58 11 Alexander Albon Williams 1’36.793 3.124 78 12 Liam Lawson Racing Bulls 1’36.808 3.139 119 13 Carlos Sainz Jnr Williams 1’37.186 3.517 68 14 Sergio Pérez Cadillac 1’37.365 3.696 67 15 Gabriel Bortoleto Audi 1’37.536 3.867 60 16 Lance Stroll Aston Martin 1’38.165 4.496 72 17 Valtteri Bottas Cadillac 1’38.772 5.103 37

Foto: Philippe Nanchino /MPSA