As tempestades de inverno que atravessaram a Península Ibérica no início de fevereiro provocaram cheias extensas em Portugal e Espanha, obrigando à evacuação de centenas de milhares de pessoas e levando à declaração de estado de calamidade em dezenas de municípios portugueses.

Os dados de satélite do programa europeu Agência Espacial Europeia e da missão Copernicus, mostram as três tempestades sucessivas, Kristin, Leonardo e Marta atingiram a região, com precipitação extrema e inundações ao longo da bacia do rio Tejo.

Portugal entre os países mais afetados

Em Portugal, as zonas mais atingidas incluem o concelho de Alcácer do Sal e a bacia do Tejo, a nordeste de Lisboa. O primeiro-ministro Luís Montenegro declarou o estado de calamidade em 69 municípios até meados de fevereiro, face aos níveis de precipitação considerados sem precedentes.

Imagens de radar captadas pelo satélite Sentinel-1 da Agência Espacial Europeia e divulgadas em comunicado ajudam a detalhar a extensão das áreas inundadas, revelando uma subida significativa dos níveis de água entre o final de dezembro e o início de fevereiro. Estas imagens além de registarem o impacto das chuvas podem ajudar no planeamento urbano, gestão de risco e reconstrução das áreas afetadas.

@ESA

Espanha registou precipitação extrema

Em Espanha, regiões como Andaluzia e Galiza sofreram fortes impactos. Na serra de Grazalema, na província de Cádiz, foram registados mais de 500 milímetros de chuva em apenas 24 horas — um valor extremo mesmo para padrões locais.

Monitorização por satélite revelou dimensão do fenómeno

Dados da missão Global Precipitation Measurement indicam que, entre 1 e 7 de fevereiro, várias áreas da Península registaram mais de 250 mm de precipitação acumulada.

O Copernicus Emergency Management Service ativou o serviço de mapeamento de emergência a 28 de janeiro e novamente a 3 de fevereiro para apoiar as autoridades na resposta às cheias em Portugal e Espanha. Ambas as ativações permanecem em vigor.

As cheias voltam a expor a vulnerabilidade da região a fenómenos meteorológicos extremos, cuja frequência e intensidade têm vindo a aumentar, colocando novos desafios à proteção civil, ordenamento do território e adaptação climática.