A luz ainda não foi reposta em muitas aldeias de Leiria desde a passagem da depressão Kristin. Há mais de 15 dias que Guilhermino não tem luz em casa apesar de toda a rua já ter energia.


Depois de uma infeção pulmonar, passou a sofrer de apneia do sono e precisa de dormir com uma máscara de oxigénio ligada a uma máquina elétrica.

“Todos os dias durmo com isto, sou obrigado a dormir com isto”, diz,
apontando para a máscara de oxigénio que todas as noites o ajuda a
respirar.


Durante duas semanas, Guilhermino não conseguiu usar o equipamento. A alternativa foram botijas de oxigénio fornecidas pelo hospital, duas de 20 litros e uma de 30 que funcionam manualmente e que duram cinco dias.

Os vizinhos já recuperaram o fornecimento elétrico, mas na casa de Guilhermino, o contador “não mexe”, não regista consumo. Segundo os técnicos, a avaria não estará na habitação, mas num poste da rua. 
“Já disse que tenho o meu marido doente, mas eles nada”, lamenta a esposa.
Um fio pela janela
A solução chegou apenas esta quarta-feira quando o filho conseguiu eletricidade. Da casa ao lado, puxou um fio elétrico pela janela que atravessa o quintal, e alimenta a máquina de oxigénio através de uma janela da casa de banho.

O cabo entra pela janela, passa por baixo de um tapete, “que é para o meu marido não cair” e segue até ao quarto.

Oxigénio manual

Em casa, o casal tem um aparelho que mede os níveis de oxigénio no sangue. Só em caso de valores abaixo do recomendado é que Guilhermino terá de ser encaminhado para a urgência. 

O hospital tem mantido contacto regular com a família e chegou a questionar se seria necessário internamento.

Até agora, Guilhermino tem permanecido em casa, recorrendo ao oxigénio manual.

Desde a noite da tempestade, a esposa de Guilhermino contatou os serviços de avarias e a Junta de Freguesia de Santa Catarina da Serra, mas ainda não há previsão para a reposição da energia.

“Eles dizem ‘Está bem, já sabemos’. Já telefonei à Junta de Freguesia, dizem para telefonarmos para as avarias. Já telefonei duas vezes e eles não vieram.” contou a esposa.

Numa rua onde as luzes já voltaram a acender, há ainda uma casa às escuras.