O líder da oposição russa Alexei Navalny morreu envenenado com uma toxina mortal encontrada em sapos-dardo da América do Sul, anunciaram neste sábado, 14 de fevereiro, num comunicado conjunto, o Reino Unido, a Suécia, a França, a Alemanha e os Países Baixos.
Os países sublinharam que os seus governos chegaram a esta conclusão com base em amostras recolhidas de Navalny, que confirmaram conclusivamente a presença da neurotoxina epibatidina.
Alexei Navalny morreu há dois anos numa prisão na Sibéria, na Rússia.
A Grã-Bretanha, que realizou uma investigação sobre o envenenamento, naquele país, do agente duplo russo Sergei Skripal em 2018 – a qual concluiu no ano passado que o presidente russo, Vladimir Putin, deve ter ordenado o ataque com o agente nervoso Novichok -, disse que o envenenamento de Navalny demonstrou “um padrão alarmante de comportamento”.
Desconhece-se como foram obtidas as amostras do corpo de Navalny ou onde foram analisadas. A declaração dos aliados europeus surge na véspera do segundo aniversário da morte de Navalny e diz que Moscovo tinha os meios, o motivo e a oportunidade para administrar o veneno enquanto Navalny morria na prisão.
“A Rússia alegou que Navalny morreu de causas naturais. Mas, dada a toxicidade da epibatidina e os sintomas relatados, o envenenamento foi altamente provável como causa da sua morte”, diz o comunicado conjunto, citado pela Reuters, acrescentando que as últimas conclusões sublinham a necessidade de a Rússia ser responsabilizada pelas “suas repetidas violações da Convenção sobre Armas Químicas e, neste caso, da Convenção sobre Armas Biológicas e Toxínicas”.
O anúncio destas conclusões surge, contudo, quando decorre a Cinferência de Segurana em Munique, precisamente o evento em que a viúva do opositor russo discursou há dois anos, pouco depois de ter sido anunciada a morte deste. Na altura, Yulia Navalnaya, pediu que Putin fosse responsabilizado.
Agora, a viúva de Navalny diz que sempre teve a certeza de que este fora envenenado. “Mas agora há provas”, disse nas redes sociais, agradecendo aos “estados europeus pelo trabalho meticuloso que realizaram ao longo de dois anos e por terem descoberto a verdade”.
Com Lusa