O comandante nacional da Protecção Civil, Mário Silvestre, alertou este domingo a população para os riscos persistentes de cheias, deslizamentos de terra e colapso de estruturas, com especial incidência em rodovias e na orla costeira. Pelas 17h, cerca de 14 mil clientes da E-Redes nas zonas mais afectadas pela depressão Kristin estavam sem energia eléctrica.

O balanço da E-Redes remete para as 17h de domingo, sem indicar o total de clientes sem electricidade no território continental. Num balanço semelhante feito na manhã de domingo, a empresa indicava que 26 mil clientes estavam sem abastecimento de eletricidade.

No rio Mondego os diques que estavam sob vigilância continuam a ser regulados, afirmou Mário Silvestre numa conferência de imprensa realizada este domingo na sede da Protecção Civil, em Carnaxide. “O trabalho está a ser feito e monitorizado em estreita articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente para tentar garantir que na zona de Montemor-o-Velho não haverá mais impacto provocado pelas cheias.”

A diminuição das descargas das barragens espanholas levou a uma descida “bastante significativa” dos níveis do rio Tejo. Embora as cheias devam manter-se nas zonas ribeirinhas, o comandante adiantou que não é expectável o surgimento de novas áreas inundadas. O plano de cheias do rio Tejo mantém-se no nível vermelho. Situação semelhante foi reportada para os rios Sorraia e Sado, com todos os rios a voltarem progressivamente aos seus leitos normais.

Nos rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Vouga, Águeda, Lis, Nabão e Guadiana, a situação está estável, sem previsão de alagamentos graves, mas a monitorização continua a ser essencial. “Manteremos todas as equipas empenhadas nos trabalhos de recuperação e escoamento que continuam a ser necessários um pouco por todo o país”, declarou Mário Silvestre.

Registadas 145 ocorrências até às 18h

A Protecção Civil registou, até às 18h deste domingo, 145 ocorrências relacionadas com a situação meteorológica adversa que está a afectar o território de Portugal continental, menos 232 do que no sábado, segundo um comunicado divulgado ao final da tarde deste domingo.

Segundo os dados divulgados, desde as 16h do dia 1 de Fevereiro até às 18h deste domingo foram registadas um total de 19.066 ocorrências. As sub-regiões mais afectadas foram a Sub-Região Coimbra, com 2.615 ocorrências, a Sub-Região Oeste, com 2296, e a Sub-Região Grande Lisboa, com 1858.

A queda de árvores foi o tipo de ocorrência mais registada, 5649, seguindo-se as inundações (5252), quedas de estruturas (3084), movimentos de massa (2933), limpeza de vias (1901), salvamentos aquáticos (161) e salvamentos terrestres (84). No total, estiveram envolvidos 64.636 operacionais, apoiados por 26.476 meios, na resposta àquelas ocorrências.

A Protecção Civil reforçou as recomendações à população, nomeadamente evitar atravessar estradas inundadas e alertar as autoridades para fissuras recentes no solo, quedas de árvores ou deslizamentos pontuais, que podem ser indicadores de movimentos de terra mais complexos e capazes de comprometer habitações e vias rodoviárias. O comandante reforçou que nunca se deve tocar em cabos eléctricos caídos, pois podem estar sob tensão e representar um sério risco de electrocussão.