Por quase 20 anos, Anderson Cooper teve uma rara dupla função na indústria televisiva americana: âncora da CNN e correspondente do “60 Minutes”, o aclamado programa jornalístico da CBS.
Agora, ele volta a apresentar um programa solo.
Na noite de segunda-feira, Cooper anunciou que deixaria o “60 Minutes” para passar mais tempo com seus dois filhos pequenos, “enquanto eles ainda querem passar tempo comigo”.
“Ser correspondente do ’60 Minutes’ foi uma das maiores honras da minha carreira”, disse Cooper. “Pude contar histórias incríveis e trabalhar com alguns dos melhores produtores, editores e equipes de filmagem do ramo.”
Depois de conciliar seus trabalhos na CNN e na CBS com as responsabilidades de criar dois filhos, Cooper disse que queria “passar o máximo de tempo possível com eles”.
A saída de Cooper, 58, será um golpe para o “60 Minutes”, do qual ele é colaborador desde 2006. Ao longo dos anos, ele tornou-se um dos jornalistas mais reconhecidos do programa, ganhando prêmios Emmy por sua cobertura de violência sexual na República Democrática do Congo e por uma reportagem sobre um grupo improvável de músicos indicados ao Grammy na prisão de Zomba, no Maláui.
O “60 Minutes” tem sido alvo de críticas recentemente devido às tensões entre sua equipe de jornalistas e Bari Weiss, a recém-nomeada editora-chefe da CBS News. O próprio programa se tornou notícia no final do ano passado, depois que Weiss tomou a decisão de última hora de não exibir uma reportagem sobre a prisão de segurança máxima Cecot, em El Salvador, contrariando Sharyn Alfonsi, a veterana correspondente do “60 Minutes” que cobriu a história. Weiss disse que o material precisava de mais apuração; Alfonsi afirmou que a decisão foi motivada por política.
A reportagem foi finalmente veiculada, semanas após a data inicialmente programada, com alterações mínimas: a CBS News adicionou dois pequenos segmentos, no início e no final, que incluíam novos comentários do governo Trump e detalhes sobre os homens que foram enviados para a prisão, abordando algumas das preocupações de Weiss. Mais tarde, em uma reunião com funcionários em janeiro, Weiss afirmou que não tinha nenhum desejo de repetir “aquele pesadelo logístico específico” novamente.
Nos últimos anos, a carreira de Anderson Cooper abrangeu muito mais do que telejornalismo. Ele escreveu vários livros, o mais recente uma biografia histórica que narra a trajetória da rica família americana Astor. Ele também apresenta um podcast sobre luto e perda, “All There Is”, onde explora o tema com seus convidados.