Creatina pode ter papel importante na saúde do cérebroFoto: Freepik/ND Mais
A creatina, tradicionalmente associada ao desempenho físico, entrou no radar da ciência por um motivo inesperado: seu possível papel na saúde cerebral e na prevenção do declínio cognitivo. Estudos publicados e ensaios clínicos em andamento entre 2024 e 2025 investigam se a substância pode ajudar no enfrentamento de doenças como o Alzheimer.
O cérebro consome cerca de 20% da energia do corpo em repouso, e a creatina participa diretamente da produção de ATP, a principal “moeda energética” das células. Pesquisadores avaliam que manter esse sistema energético eficiente pode ajudar neurônios a resistirem ao envelhecimento e ao estresse metabólico.
Essa hipótese é especialmente relevante porque alterações no metabolismo energético cerebral estão entre os mecanismos ligados à progressão do Alzheimer.
Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir Estudo clínico de 2025 testa creatina em pacientes com Alzheimer
Um ensaio clínico registrado em 2025 investiga o papel da suplementação de creatina no metabolismo, funcionalidade e cognição de idosos com doença de Alzheimer, com desenho randomizado e controlado por placebo.
O objetivo é avaliar se o suplemento pode melhorar não só a força muscular (afetada pela sarcopenia), mas também aspectos cognitivos e funcionais desses pacientes.
Outro estudo internacional acompanha idosos recebendo creatina com ou sem treinamento físico, medindo desfechos como capacidade funcional, qualidade de vida e estado cognitivo até 2026.
Resultados iniciais já observados chamam atenção
Um estudo piloto publicado em 2025 testou a suplementação por oito semanas em pessoas com Alzheimer e observou aumento significativo dos níveis de creatina no cérebro; melhora em testes cognitivos globais e de memória de trabalho, além de viabilidade e boa adesão ao uso do suplemento.
Embora com amostra pequena, os autores consideram os dados um primeiro passo para estudos maiores de eficácia clínica.
A hipótese científica: energia neuronal pode ser a chave
Pesquisadores sugerem que, ao melhorar a disponibilidade de energia celular, a creatina pode estabilizar o funcionamento dos neurônios; apoiar memória e aprendizado, além de proteger células cerebrais contra processos degenerativos.
Esse mecanismo explicaria por que a substância, já produzida naturalmente pelo organismo e presente em carnes e peixes, está sendo estudada como estratégia metabólica para o cérebro.
Ainda não é tratamento, e a ciência é cautelosa
Apesar do entusiasmo, especialistas reforçam que as evidências ainda são preliminares. Mais estudos controlados, com maior número de participantes e acompanhamento prolongado, são necessários antes de qualquer recomendação clínica.
Inclusive, análises científicas destacam que efeitos terapêuticos da creatina fora do contexto esportivo ainda precisam ser melhor investigados.
O que já dá para afirmar
A creatina está sendo seriamente estudada como possível aliada da saúde cerebral. Ensaios clínicos recentes focam especialmente em Alzheimer e envelhecimento cognitivo. Resultados iniciais mostram potencial, mas não comprovam prevenção ou tratamento. O suplemento segue sendo uma ferramenta promissora ainda em investigação.