O líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, avisou esta terça-feira que o porta-aviões norte-americano (um navio de guerra) destacado no Golfo Pérsico corre o risco de ser afundado, numa altura em que se iniciam as negociações nucleares entre os dois países.
“Ouvimos constantemente que eles [os Estados Unidos] enviaram um navio de guerra para o Irão. Um navio de guerra é certamente uma arma perigosa, mas ainda mais perigosa é a arma capaz de o afundar”, ameaçou Khamenei.
Nas últimas horas, o Presidente norte-americano, Donald Trump, deixou implícito que os Estados Unidos podem lançar um novo ataque contra o Irão, ao afirmar que espera uma maior abertura nas conversas que vão acontecer esta terça-feira em Genebra. Isto porque, completa, Teerão não vai querer sofrer as consequências, como aconteceu em junho de 2025.
“Espero que sejam mais razoáveis. Querem fechar um acordo… Não creio que queiram assumir a responsabilidade pelas consequências de não se chegar a um acordo”, disse o republicano, referindo-se às autoridades iranianas.
Citado pelas agências internacionais, o líder espiritual iraniano garante que os Estados Unidos não vão ter sucesso no “desejo de destruírem o país”.
“Num dos seus recentes discursos, o Presidente dos EUA afirmou que, durante 47 anos, a América não conseguiu destruir a República Islâmica… Eu digo-vos: vocês também não vão conseguir”, sublinou ainda Khamenei.
Enquanto Trump ordenava o envio de um porta-aviões adicional para a região, o Irão lançou na segunda-feira um segundo exercício naval em semanas, informou a televisão estatal iraniana e disse que o exercício testaria as capacidades de inteligência e operacionais do país no Estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.
O Irão anunciou que a Guarda Revolucionária paramilitar começou o exercício em vias navegáveis, que são rotas cruciais para o comércio internacional, através das quais passa 20% do petróleo mundial.
O Irão e os Estados Unidos iniciaram esta terça-feira, em Genebra, uma segunda rodada de negociações nucleares e de segurança para dissipar o risco de uma intervenção militar de Washington. Os dois arqui-inimigos retomaram o diálogo em 6 de fevereiro, em Mascate, capital de Omã, após uma escalada de ameaças por ambas as partes.
O Irão quer falar apenas de seu programa nuclear, mas Washington também exige que limite seu programa de mísseis balísticos e deixe de apoiar grupos armados regionais.