
Dois sismos “gémeos”, ambos com magnitude 4,1 na escala de Richter, e, posteriormente, duas réplicas foram registados ao início da tarde desta quinta-feira, com epicentro em Alenquer, no distrito de Lisboa, informou IPMA.
O primeiro abalo, de 4,1 na escala de Richter (que mede a energia libertada), ocorreu às 12h14 locais, com epicentro a 14 quilómetros de profundidade, e a quatro quilómetros a oeste-noroeste da vila de Alenquer, sede de concelho.
Um segundo sismo, com a mesma magnitude na escala de Richter, ocorreu dois minutos depois, às 12h16, também em Alenquer, a 12 quilómetros de profundidade, indicou o IPMA, destacando que “muitas pessoas podem nem ter dado conta de que foram dois episódios diferentes”.
O instituto registou posteriormente duas réplicas no mesmo concelho, às 15h15 e às 15h16, de 2,2 e de 2,4, respetivamente, na escala de Richter.
Os sismos não causaram danos pessoais ou materiais e tiveram a intensidade máxima de V na escala de Mercalli Modificada, sentida em Alenquer.
A intensidade V significa que o sismo é considerado de moderado a forte, implicando que tenha sido sentido dentro de casa, com objetos pendurados a oscilar e vibração nas janelas e portas.
Os abalos foram sentidos com menor intensidade nos concelhos de Montemor-o-Novo (distrito de Évora), Alcobaça, Batalha, Bombarral, Caldas da Rainha, Leiria, Óbidos e Peniche (Leiria), Arruda dos Vinhos, Azambuja, Cadaval, Cascais, Lisboa, Loures, Lourinhã, Mafra, Oeiras, Sintra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Vila Franca de Xira, Amadora e Odivelas (Lisboa), Portalegre, Benavente, Cartaxo, Constância, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Tomar (Santarém), Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal (no distrito de Setúbal).
Num comunicado, também a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) revelou que, até às 12h30, não tinha registo de danos pessoais ou materiais.
“Apelamos à população para cuidados redobrados nas zonas já anteriormente afetadas por movimentos de massa e instabilidade de estruturas devido aos fenómenos recentes de meteorologia adversa”, realçou a ANEPC.
Os maiores “dos últimos nove anos”
Os dois sismos foram os maiores “dos últimos nove anos”, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
“Com origem próxima da zona de Alenquer, verifica-se serem estes os maiores sismos – em termos de magnitude – dos últimos nove anos”, lê-se num comunicado do IPMA.
Após a primeira hora pós-sismo, tinham já sido rececionados no IPMA, através do questionário macrossísmico online, mais de 800 testemunhos.
“Sismos gémeos” são muito raros
Os sismos surpreenderam os investigadores pela semelhança quase perfeita. Foi o que explicou, ao Jornal de Notícias, o geofísico Luís Matias, da Universidade de Lisboa.
“O que é curioso é o facto de serem dois sismos e, olhando para os registos, são como se fossem gémeos. São dois sismos iguaizinhos, provavelmente gerados na mesma estrutura, na mesma falha“, afirmou.
Apesar de os cálculos preliminares apontarem para epicentros afastados, o investigador admite que terão ocorrido muito próximos um do outro e associados, sublinhou, à mesma zona de fratura.
Luís Matias referiu, ao matutino que o interesse científico do episódio está na raridade do fenómeno, explicando que sismos “gémeos” como estes, com esta magnitude são pouco frequentes em Portugal.
“Não estamos todos preparados”
Em entrevista ao Expresso, o geólogo Filipe Rosas, diretor do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, alertou que o risco não depende apenas da magnitude de um simo: “O que mata não são os sismos, são as construções humanas.”
O especialista acha que “que não estamos de todo preparados” para estes fenómenos, lembrando que o risco sísmico é particularmente sensível nesta região por se tratar de uma zona com “uma densidade populacional muitíssimo elevada” atravessada por falhas ativas.