vlaaitje / Pixabay

Primeiro mapa genético detalhado do cancro em gatos domésticos revela semelhanças impressionantes com as versões humanas da doença, o que pode ajudar a encontrar novas formas de tratar o cancro em ambas as espécies.

Cientistas analisaram o ADN tumoral de quase 500 gatos domésticos e identificaram mutações genéticas importantes associadas à doença.

O cancro é uma das principais causas de doença e morte em gatos; no entanto, sabe-se muito pouco sobre a forma como se desenvolve.

“A genética do cancro em gatos tem sido uma verdadeira incógnita até agora”, diz a investigadora Louise Van der Weyden, líder do estudo publicado na revista Science. “Quanto mais conseguirmos compreender o cancro em qualquer espécie, melhor para todos.”

A equipa internacional, liderada pelo Instituto Wellcome Sanger, em Cambridge, no Reino Unido, analisou cerca de mil genes associados a 13 tipos de cancro felino. Os investigadores descobriram que muitos dos genes que impulsionam o cancro em gatos são semelhantes aos encontrados em seres humanos, o que sugere que as duas espécies partilham processos biológicos essenciais que permitem que os tumores cresçam e se disseminem.

Os cientistas afirmam que o gato doméstico pode ser a chave para compreender certos tipos de cancro da mama, como o cancro da mama triplo negativo. Cerca de 15 em cada 100 casos de cancro da mama são deste tipo. Os gatos desenvolvem este subtipo com maior frequência do que as pessoas, dando aos cientistas acesso a amostras e oferecendo pistas para novos medicamentos que podem ajudar no tratamento.

Embora os estudos sobre cancro tenham sido amplamente realizados em cães, os gatos permaneceram inexplorados.

Os cientistas dizem que ambos os animais de estimação podem fornecer pistas sobre os fatores ambientais envolvidos em alguns tipos de cancro. Eles partilham os mesmos espaços que nós, o que significa que também estão expostos aos mesmos fatores ambientais que os seres humanos.

“Isto pode ajudar-nos a compreender melhor porque é que o cancro se desenvolve em gatos e humanos, como o mundo à nossa volta influencia o risco de cancro e, possivelmente, a encontrar novas formas de o prevenir e tratar”, diz Geoffrey Wood, do Ontario Veterinary College, no Canadá.


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