Com Ana Abrunhosa nas suas costas, o governante respondia a perguntas dos jornalistas de microfone em riste, quando a autarca interrompeu, para dizer que gostava de falar com o ministro, antes de este fazer declarações, “porque ainda não ouviu os autarcas”. Perante a surpresa do ministro, Abrunhosa não desarmou e lembrou o “dever institucional” de falar com os autarcas. “Se o senhor vem fazer uma conferência de Imprensa, nós vamos embora”, reforçou perante o ministro, que tentou explicar-se.
“Até hoje, o senhor não veio ao terreno. E se veio cá…”, insistiu, perante um ministro visivelmente atrapalhado pela reprimenda pública e que tentou explicar que já tinha estado em visitas noutros sítios. “Mas não falou com os autarcas. Não falou com Coimbra”, insistiu Abrunhosa.
Manuel Fernandes acabou por dar a mão à palmatória e reconhecer um erro. “Eu estava a responder educadamente às vossas perguntas, mas ela tem razão”, disse, virando-se finalmente para a comitiva que o esperava no local, apenas para ver Ana Abrunhosa a virar-lhe costas.
Já a caminharem lado a lado, a presidente conimbricense não larga o tema: “Senhor ministro, eu fui ministra e nunca faria isso a um autarca (…). Em Coimbra, não volta a fazer isto.” Depois, sublinhou que seria incapaz da indelicadeza que considera que o ministro cometeu. O governante disse, por várias vezes, que não fez qualquer conferência de Imprensa, estando apenas a responder a algumas perguntas dos jornalistas. A discussão prosseguiu, sempre acompanhada pelos repórteres.