A directora do Museu do Louvre, Laurence des Cars, apresentou esta terça-feira o seu pedido de demissão ao Presidente Emmanuel Macron, que o aceitou. A saída de Des Cars sucede cerca de cinco meses depois do mediático roubo das jóias da coroa francesa do museu que dirigia desde Setembro de 2021 e após uma série de audições em sede de comissão de inquérito parlamentares focadas nos problemas de segurança e gestão do Louvre.
Em comunicado, o Eliseu declara que o Presidente da República saudou o pedido da gestora cultural como “um acto de responsabilidade, numa altura em que o maior museu do mundo precisa de apaziguamento e de um novo impulso, forte, para realizar grandes projectos de segurança e modernização, incluindo o projecto ‘Louvre – Nova Renascença’”,[um contrato de desempenho para o período 2025-2029 iniciado em Janeiro do ano passado]. Entretanto, além do mediático roubo, foi descoberta uma fraude na bilhética que sonegou cerca de dez milhões de euros de receitas ao museu, e os sindicatos encetaram uma série de greves e protestos relacionados com, entre outros temas, a falta de pessoal.
Emmanuel Macron agradeceu ainda a Des Cars o “trabalho e dedicação nos últimos anos” e anunciou que lhe vai “confiar uma missão no âmbito da presidência francesa do G7 sobre a cooperação entre os principais museus dos países em causa”, diz o mesmo comunicado, citado pela imprensa francesa.
A ministra da Cultura francesa, Rachida Dati, manteve Laurence des Cars no cargo apesar do pedido de demissão que a responsável apresentou após o roubo e das fortes críticas à incúria na gestão do museu. Que, recorde-se, já antecederiam a sua direcção. Em 2018, a direcção do museu tinha já consigo uma auditoria de segurança, da responsabilidade da joalharia Van Cleef & Arpels, que sublinhava como a varanda usada pelos assaltantes de 19 de Outubro era um ponto de invulgar vulnerabilidade do Louvre. No Louvre foi entretanto encetada uma investigação administrativa, que revelou os mesmos problemas de segurança já identificados em anos anteriores e corroborados por um relatório do Tribunal de Contas francês divulgados em Novembro (e que fora terminado antes do assalto).