O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, lançou nesta terça-feira, 24, um novo clipe: Freestyle de um Foragido. Ele teve o habeas corpus revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro, após 66 violações à tornozeleira eletrônica. No momento, é considerado foragido. O artista responde a duas tentativas de homicídio qualificado por ter lançado pedras contra policiais durante uma operação no ano passado.

O vídeo começa com trechos de matérias de jornais sobre a possível prisão do artista. Em seguida, ele aparece deitado numa cama, com uma balaclava na cabeça e tornozeleira eletrônica no pé. Logo começa a cantar: “Desculpa, eu não vim ‘pra’ ser qualquer um. Enquanto muitos ‘tão’ vendo, ‘tão’ se fingindo de cego. Sou gangstar, não faço essa p**** por ego, mas ‘to’ lutando ‘pra’ caramba ‘pra’ onde eu quero”, diz.

Em outro momento, Oruam parece fazer uma reflexão sobre o mandado de prisão contra ele: “F*** quando o monstro ‘tá’ tentando te pegar, tipo um sonho longo, eu não consigo acordar. Até tento me recordar a última noite que eu dormi sem ansiedade no meu peito”. Ainda na quarta, antes da divulgação do clipe, sua defesa apresentou um laudo psíquico, no qual apontou que o rapper apresenta “quadro clínico compatível com transtorno de ansiedade associado a transtorno depressivo moderado”.

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Ele, que cresceu na igreja, faz uma série de reflexões bíblicas. “Me jogaram na prisão, me esqueceram lá dentro, igual fez com José. Judas era falso, se vendeu por uma moeda. Davi era fraco, mas só tinha uma pedra. Jesus foi levado ‘pra’ o deserto ‘pra’ ser tentado pelo diabo. Ficou 40 dias sem comer. Era homem, também ‘tava’ fraco. Mas se és filho de Deus, mande que essas pedras se transformem em pão. Jesus já estava fraco, olhou ‘pra’ o diabo e respondeu que ‘não’. Sentado num lindo trono, o Pai não esquece (de) nenhum filho seu”, afirma.

Oruam também faz referência ao pai, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso há quase três décadas e chefe histórico do Comando Vermelho (CV). “Tenta me pegar, mas sempre sobressai. Acho que ‘to’ lutando a guerra do meu pai. Acho que ‘to’ pagando um pecado que nem é meu. Eles ‘tão’ me julgando, parecendo que é Deus”. No início da música, ele diz que não é bandido, apenas conhece “uns”. Para além de tentativa de homicídio, o rapper é acusado pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal.