A Uber revolucionou o mercado das boleias, com a introdução de uma aplicação que liga os consumidores aos trabalhadores independentes. Com mais de nove milhões de motoristas e estafetas pelo mundo todo, o diretor-executivo da empresa acredita que, em 15 a 20 anos, as viagens serão feitas “por algum tipo de robô”.
Numa entrevista ao podcast The Diary of a CEO, o diretor-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, falou sobre o futuro dos carros autónomos, bem como de Inteligência Artificial (IA), automação e perda de empregos.
Após conversar sobre o papel de diretor-executivo, o líder da Uber explorou o futuro da empresa num mundo dominado pela IA e pela automação.
Com 9,5 milhões de motoristas e estafetas em todo o mundo, que fazem de si a maior empresa de trabalho flexível, seguida pelo exército da China, em segundo lugar, conforme citado por Dara Khosrowshahi, a Uber deverá mudar a sua forma de operar, durante os próximos anos.
É possível imaginar que a maioria das nossas viagens venha a ser realizada por algum tipo de robô. Provavelmente não dentro de 10 anos, mas daqui a 15 a 20 anos começaremos a chegar lá.
Disse Dara Khosrowshahi, sugerindo que a automação deverá desempenhar um papel significativamente importante no futuro da empresa.
Dara Khosrowshahi, diretor-executivo da Uber, no dia 2 de agosto de 2022. Crédito: Andrew Kelly/Reuters
Carros autónomos são mais seguros, mas há desafios à massificação
Durante o podcast, Khosrowshahi explicou que existem ainda muitos desafios que a empresa e outros operadores do setor terão de enfrentar para expandir uma frota de veículos sem condutor.
Não operamos no mundo virtual, operamos no mundo físico. É preciso atualizar a regulamentação. É preciso construir os carros. É preciso desenvolver os sistemas de sensores; os modelos têm de evoluir.
Embora ressalve que há espaço temporal entre o agora e o futuro, o diretor-executivo confirma que “pode imaginar que a maioria das nossas viagens seja executada por algum tipo de robô”.
Afinal, na sua perspetiva, sustentada com estatísticas sobre o tema e a experiência da própria Uber com a Waymo, nos Estados Unidos, um carro autónomo pode ser mais seguro do que um condutor humano.
Até lá, os motoristas continuarão a ser um ativo importante para a Uber, executando tarefas que a IA não conseguirá substituir tão cedo, na opinião de Khosrowshahi, como a entrega de compras e comida.
Uber Autonomous abre novo capítulo
Ainda que um porta-voz da Uber tenha citado declarações anteriores, nas quais Dara Khosrowshahi sublinhou que a empresa espera que o número de motoristas e estafetas na sua plataforma continue a crescer durante vários anos, a empresa anunciou, esta semana, o lançamento das Uber Autonomous Solutions.
Esta iniciativa procura ajudar parceiros a desenvolver, lançar e gerir veículos autónomos em grande escala, especialmente robotáxis, sem que a Uber tenha de construir toda a tecnologia internamente.
A tecnologia autónoma tem um potencial notável para tornar o transporte mais seguro e acessível. A inovação em autonomia está a avançar rapidamente, mas a comercialização significativa levará muito mais tempo.
Por mais de uma década, a Uber ajudou a definir o padrão para a mobilidade on-demand e desenvolveu os recursos que tornam possível o conceito de “aperte um botão e obtenha uma viagem” em escala global.
Disse Khosrowshahi, citado num comunicado oficial sobre a iniciaitva, acrescentando que, “com as Uber Autonomous Solutions, estamos a disponibilizar essas competências conquistadas com muito esforço para os nossos parceiros”.

