A Samsung, que nesta semana lançou sua nova família premium de smartphones Galaxy S26, prevê mais alta nos preços dos componentes ao longo deste ano. O aumento dos custos vem sendo impulsionado pela alta demanda de chips de memória por data centers de IA mundo afora. Por isso, HS Jo, CEO da Samsung Electronics para a América Latina, diz que a hora de comprar um novo celular é agora.
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— Os modelos no Brasil estão um pouco mais caros em comparação com o ano passado. Há uma escassez global de chips de memória. Por causa disso, fomos obrigados a aumentar o preço desta vez. A memória é uma das partes mais caras do hardware e representa algo em torno de 40% a 50% do custo total. Agora, o preço da memória continua subindo, inclusive na segunda metade deste ano. Isso significa que este é o momento ideal para comprar um aparelho novo. É verdade. Sempre que tenho reuniões com parceiros de canal, como as operadoras de telefonia, digo que agora é o momento mais acessível para comprar o telefone — disse HS Jo em entrevista ao GLOBO.
A companhia anunciou seus novos modelos em evento em São Francisco, nos Estados Unidos. Neste ano, a empresa apresentou os modelos S26, S26+ e S26 Ultra. Os preços começam em R$ 7.499 e chegam a R$ 15.499, valor maior em relação ao ano passado, quando os telefones da linha S25 chegaram com valores entre R$ 6.999 e R$ 14.999.
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Segundo o executivo, além dos componentes de memória, os custos envolvem ainda o display e a câmera. HS Jo afirmou que o display também é uma parte importante do custo de design por causa do tamanho e de seus componentes. Por isso, a gigante do setor vem tentando reduzir os custos com seus parceiros.
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— Tentamos reduzir o custo para o consumidor trabalhando em colaboração com nossos parceiros, principalmente com programas de troca (trade-in) e instrumentos de financiamento, além de co-investimentos em tarifas para reduzir os custos, especialmente com as operadoras. Por exemplo, se você comprar o aparelho com 256 GB de armazenamento, nós entregamos o de 512 GB. E, se você comprar o de 512 GB, recebe o de 1 TB.
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O aumento no custo dos componentes vêm afetando todos os players da indústria e afetando as vendas de celulares. Segundo a consultoria IDC, o mercado de smartphone deve fechar em queda neste ano em relação ao ano passado. A estimativa é de novas quedas para os próximos anos. Hoje, a estimativa é que os telefones podem ter alta de até 20% nos preços.
Parceria com Perplexity, Google e OpenAi
O executivo aproveitou ainda a chegada do S26 para anunciar novos parceiros em inteligência artificial. Além do Google, responsável pelo Gemini, a companhia selou parceria com a Perplexity, que vai abastecer o agente de IA do aparelho, que, pela primeira vez, está integrado ao sistema do celular. Ele adiantou que a Samsung está em conversas com a OpenAI para futuras parcerias, mas não deu detalhes.
— Continuaremos expandindo parcerias com empresas como Google e outras. Se houver alinhamento no nível de integração de plataforma, expandiremos essas colaborações. A condição é que sejam parceiros de confiança. Sempre tivemos um ecossistema aberto e conversamos com diversos players para integrar as melhores soluções.
A busca por parceiros também envolve outras companhias, como a Apple. Após integrar o ChatGPT, da OpenAI, em seus iPhones, a empresa também está trabalhando em conjunto com o Google para sua nova linha de celulares.
Maior foco em chip próprio
Além dos parceiros para o sistema de IA, especialistas vêm questionando a Samsung por ampliar, na família S26, o uso de seus próprios chips, o Exynos, que esse ano vai abastecer a linha básica (S26) e a intermediária (S26+). Neste ano, apenas o topo de linha S26 Ultra conta com o processador mais avançado da Qualcomm, o Snapdragon 8 Elite de quinta geração, desenvolvido para gerar com maior rapidez ações de IA com redução do consumo de bateria.
— A Samsung continuará usando tanto Exynos quanto Snapdragon, priorizando qualidade e desempenho.
O objetivo da empresa, revela o executivo, é tornar o uso de IA mais simples. Para ele, hoje os recursos contam com “muitos passos”, o que pode deixar o consumidor com dúvidas sobre seu uso. Hoje, as funções mais usadas são edição de fotos, “circule para pesquisar”, ferramentas de produtividade e o Gemini de forma geral.
— Alguns falam em bolha da IA. Mas queremos deixar a IA mais fácil de usar, removendo fricções e etapas. 87% dos usuários já utilizam IA de alguma forma, mas apenas 49% usam regularmente. E 85% ainda acham difícil usar. O desafio é simplificar.
Ele lembra que hoje os países da América Latina estão entre os que mais usam IA. Por isso, a companhia, neste ano, decidiu que todo o seu portfólio vai vender apenas modelos já com sistema de IA. A meta é que o número de usuários de IA dobre neste ano, passando de 400 milhões para 800 milhões de consumidores.
— E cerca de 15% a 20% da base está na América Latina. Brasil e México se destacam.
Tela de privacidade não será oferecida a rivais
Uma das novidades centrais deste ano, a tela de privacidade, que impede a visão lateral da tela do celular, foi desenvolvida pela Samsung Display, uma divisão da companhia coreana. A tecnologia une mudanças no hardware e no software, com o uso de IA para apagar pixels. A novidade está disponível apenas na linha premium S26 Ultra.
— Mas esse recurso não está disponível para concorrentes neste momento.