É fácil achar que coçar faz parte da vida de um pet. Afinal, cães e gatos se coçam eventualmente ao longo do dia. O problema começa quando esse gesto deixa de ser pontual e passa a dominar a rotina do animal. Coceira persistente, feridas e irritações na pele podem revelar alergias, parasitas ou infecções que exigem investigação profissional.
De acordo com o médico veterinário Thiago Borba, a queixa é quase unânime nos consultórios. “Praticamente todos os tutores se queixam de alguma área que seu pet coça muito”, afirma. A médica veterinária dermatologista Hellen Freire da Silva, da DermaVet Brasília, complementa informando que o prurido está entre os sintomas mais relatados, ao lado de inflamações de pele, perda de pelo, lesões e otites.
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Mas quando a coceira deixa de ser considerada “normal”? Hellen explica que o comportamento esperado é aquele esporádico, que dura poucos segundos e não interfere na rotina do animal. “O sinal de máxima alerta é quando o paciente não responde ao chamado do tutor e permanece se coçando por minutos”, detalha.
Thiago também aponta sinais importantes: coceira constante, pele irritada e até sangramentos indicam que é hora de procurar avaliação profissional. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as chances de agravamento e sofrimento prolongado.
A intensidade e a frequência variam conforme a causa. Animais alérgicos tendem a se coçar em várias partes do corpo e apresentar lambedura intensa, enquanto quadros localizados costumam concentrar o desconforto em uma região específica.
Orelhas, patas, barriga e base da cauda estão entre os pontos que mais revelam problemas. “Orelha é clássico, é uma região que não deve ter coceiras frequentes”, alerta Thiago. Já Hellen acrescenta que lambedura de patas, associada a otite recorrente, pode indicar alergia, enquanto perda de pelo simétrica pode sugerir distúrbios hormonais.
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Causas comuns
Entre os principais vilões estão os ectoparasitas — como pulgas, carrapatos e sarnas. Segundo os especialistas, a picada desses parasitas provoca reação inflamatória intensa e desconforto significativo. Thiago exemplifica que, no caso das pulgas, o tutor pode visualizar o parasita ou seus dejetos na pele do animal. Já na dermatite alérgica, é comum notar mudanças na textura, cor ou umidade da pele. Hellen complementa que, se mesmo após o controle rigoroso de parasitas o pet continuar se coçando, a hipótese de alergia ganha força.
Infecções por fungos e bactérias também estão entre as causas frequentes. Em alguns casos, elas surgem como consequência de uma coceira intensa que leva o animal a se ferir; em outros, são a origem do problema.
A alimentação também pode influenciar. Apesar de a hipersensibilidade alimentar não ser a causa mais comum, ela existe. “O paciente pode apresentar sintomas gastrointestinais, otite, dermatite e coceira”, elucida Hellen. O diagnóstico exige dieta de exclusão com proteína inédita ou ração específica.
Fatores ambientais pesam no quadro. Em Brasília, por exemplo, a seca pode agravar alergias já existentes devido ao ressecamento da pele. No verão, calor e umidade favorecem a proliferação de fungos e bactérias. Produtos de limpeza, perfumes e até fragrâncias usadas pelo tutor também podem desencadear reações por contato.
O estresse é outro agravante importante. Segundo Thiago, a queda da imunidade facilita a ação de microrganismos oportunistas. Hellen acrescenta que picos de cortisol e adrenalina deixam a pele mais sensível, piorando quadros já existentes.
Algumas raças apresentam predisposição maior a doenças dermatológicas, como shih tzu, buldogue francês, golden retriever, pug e pastor alemão. O aumento no número de diagnósticos de dermatite atópica, por exemplo, pode estar relacionado tanto à maior população dessas raças quanto a fatores ambientais, como poluição.
Diagnóstico e tratamento
Diante de coceira persistente, a recomendação é não esperar. Hellen orienta que o tutor procure um dermatologista veterinário logo nos primeiros sinais. A investigação costuma incluir citologia de pele, exame capaz de identificar bactérias, fungos, ácaros e leveduras.
O tratamento depende da causa. Quando há presença de parasitas, a eliminação com medicação adequada costuma resolver o quadro. Em pacientes alérgicos, podem ser indicados corticoides, imunossupressores, anticorpos monoclonais e moduladores de citocinas.
Banhos terapêuticos também ajudam, desde que o xampu contenha princípios ativos adequados ao problema. A frequência varia entre quatro e 15 dias, conforme o tipo de pele e a condição clínica. Para cães alérgicos, o banho semanal pode auxiliar no controle de alérgenos acumulados. Já os gatos, em geral, não necessitam de banhos frequentes, salvo em situações específicas ou em casos dermatológicos generalizados. O controle de pulgas deve ser mantido o ano todo, inclusive em pets que vivem exclusivamente dentro de casa. “O pet do vizinho pode trazer ectoparasitas após o passeio”, lembra Hellen.
Quadros mais graves incluem coceira contínua, inflamação generalizada, inchaço em diferentes regiões e necessidade frequente de corticoides. Nesses casos, o acompanhamento médico é indispensável para o bem-estar animal, visto que o prurido persistente impacta sono, comportamento e qualidade de vida.
Causas mais comuns
- Pulgas, carrapatos e sarnas
- Dermatites alérgicas (ambientais ou alimentares)
- Infecções por fungos e bactérias
- Problemas hormonais (endocrinopatias)
- Reações a produtos de limpeza e perfumes
- Estresse e queda de imunidade
Sinais de alerta
- Coceira por minutos sem interrupção
- Feridas, sangramentos ou perda de pelo
- Otites recorrentes
- Inchaço ou inflamação generalizada
Prevenção
- Controle antiparasitário contínuo
- Alimentação de qualidade
- Banhos adequados ao tipo de pele
- Ambiente limpo e seco
- Avaliação veterinária precoce
A coceira pode, muitas vezes, ser um sinal de alerta
(foto: Reprodução/Freepik)
*Estagiárias sob a supervisão de Sibele Negromonte
Brasiliense, moradora do Guará, estudante de Jornalismo no sétimo semestre, pela Universidade do Distrito Federal. Atuando como estagiária na Revista do Correio.
Cursando Jornalismo no Centro Universitário IESB, estagiária na Revista do Correio, fã de boas histórias, arte, cultura pop, rock e universo geek.