Segundo uma análise interna do BCE, feita em dezembro, uma subida de 14% no preço do petróleo poderia aumentar a inflação em 0,5 pontos percentuais e reduzir o crescimento em 0,1 ponto percentual. Mas esse é um exercício económico que apenas considera o efeito-preço, não inclui o efeito de eventuais problemas nas cadeias de abastecimento.
“Com a recente crise inflacionista ainda bem viva na memória de todos, o BCE dificilmente trataria um novo pico de inflação energética como meramente transitório“, alerta o banco neerlandês ING em nota de análise enviada aos clientes nesta segunda-feira.
Procurando olhar para a frente, este mesmo banco, o ING, escreveu uma nota de análise onde identifica um ponto de bifurcação claro: ou o conflito termina em poucos dias, como aconteceu em junho de 2025, ou transforma-se numa guerra prolongada com impacto regional alargado, complexo e imprevisível.
Donald Trump, ao final desta tarde, aponta para uma expectativa de duração do conflito de quatro a cinco semanas, mas esta é uma matéria que continua envolta em grande incerteza. O próprio Presidente dos EUA acrescentou que, independentemente dessa previsão de um mês, aproximadamente, de guerra, o país está preparado para manter as operações militares na região durante “muito mais tempo“, se for necessário.
Cenário 1: Um conflito curto (4–7 dias)
O primeiro cenário passa por um esgotamento dos ataques dos EUA e de Israel, que em poucos dias atingem os alvos militares desejados e a intensidade operacional diminui. Ao fim de uma semana, ou pouco mais, é possível que haja um cessar-fogo, mesmo que apenas informal.
Também nesse cenário, a retaliação iraniana continua a ser limitada — suficiente para consumo interno, mas sem provocar uma escalada ainda mais agressiva por parte dos EUA. Já o Estreito de Ormuz sofre perturbações pontuais, mas sem interrupção séria, dado que o próprio Irão depende da rota para exportar petróleo para a China.
O impacto nos mercados seria um pico inicial nos preços do petróleo (que já poderá ter acontecido nesta segunda-feira), seguido de um recuo. Nos mercados bolsistas, a aversão ao risco atenua-se rapidamente e não se geram, portanto, consequências macroeconómicas duradouras.
Cenário 2: Escalada prolongada (“guerra para sempre”)
O segundo cenário, porém, passa por ver a retaliação iraniana intensificar-se, prolongando o conflito aberto por várias semanas. Aí, os ataques dos EUA e de Israel expandem-se para infraestruturas e ativos móveis, estendendo indefinidamente o horizonte da guerra.
Com a sobrevivência do regime em causa, Teerão recorre à guerra económica: assédio contínuo a navios petroleiros, ativação de ataques houthi no Mar Vermelho e tentativas de disrupção adicional ou de impacto mais duradouro no Estreito de Ormuz.
Para os mercados, isso significaria que o petróleo escalaria em direção aos 100 dólares ou mais, admite o ING. Poderia haver uma correção muito mais relevante nas bolsas e uma procura mais sustentada por ouro e por obrigações (embora os títulos de dívida, nesta segunda-feira, não tenham beneficiado da aversão ao risco por parte dos investidores, o que tipicamente acontece).