Desde sábado, dia em que os EUA bombardearam o Irão, que é por mensagens de telemóvel que Nuno Barbosa recebe informações das autoridades de Abu Dhabi sobre eventuais ameaças. Os mísseis disparados desde território iraniano têm sido intercetados e para o empresário de 40 anos é essa a garantia de que a segurança das pessoas está a ser tida como a principal missão do país do Golfo Pérsico.
“Nã há agonia, mas os últimos dias têm sido de alguma supresa, porque não estamos habituados a viver com apreensão. Este país é muito seguro, tem como prioridade exatamente a segurança e a qualidade de vida. Neste momento, estamos nas medidas preventivas”, explica o português natural de São Pedro da Cova, em Gondomar. O governo dos Emirados Árabes Unidos (EAU) decidiu encerrar as escolas, o ensino é agora online, e incentivou o setor privado a optar pelo teletrabalho. No caso de Nuno, que tem uma empresa no setor imobiliário, os trabalhadores começaram por ficar em casa, mas hoje alguns já quiseram regressar ao escritório. “As pessoas quiseram vir porque têm vontade de ter uma vida normal, sentem que isto não é um problema, e sentem proteção”, refere, acrescentando que confia na aposta diplomática do país, “que procura resolver as situações através do diálogo”.
A viver numa zona próxima da capital, relata que os restaurantes, ginásios e parques infantis estão abertos. A alterar a vida de Nuno, que tem duas filhas, com nove e sete anos, e um menino, com apenas um ano de idade, estão apenas “os barulhos” das defesas aéreas. “Ouvimos os aviões, quando passam, mas não ouvimos mísseis. Ouvimos apenas os barulhos dos sistemas de defesa. Os vários objetos que foram enviados, mísseis e drones, foram intercetados”. Em casa, a regra é também a de não passar qualquer preocupação para as crianças. “Tentamos fazer com que levem as coisas de uma forma mais esperançosa, tendo em vista uma solução”.
Com a restante família a viver em Portugal, Nuno conta que vai gravando vídeos para demonstrar o regresso à normalidade, que acredita que irá ficar restabelecida na sua grande maioria até ao final da semana. É também através de mensagens no WhatsApp que muitos portugueses no Médio Oriente têm trocado informações, conta o gondomarense, que não pretende sair do país, por agora. “A embaixada tem um canal aberto, pelo que sei já falou com alguns portugueses para apurar quem quer sair. Nós não temos intenção de abandonar o país e esperamos que as pessoas que estão de férias e queiram voltar a Portugal tenham prioridade”.